Autor Tópico: Entrevistas - 10 anos de fansub  (Lida 1495 vezes)

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Entrevistas - 10 anos de fansub
« em: Agosto 20, 2021, 22:44:17 pm »

A Projectos Old School faz 10 anos! Para celebrar este marco importante, estivemos à conversa com os membros da fansub e outras pessoas que contribuíram para o grupo ao longo dos anos.
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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #1 em: Agosto 20, 2021, 23:09:38 pm »
Entrevista Deity



Começando pelo básico, fala-nos um pouco sobre ti.

Chamo-me Diogo, mas os meus amigos chamam-me pelo meu segundo nome, Joel. Tenho 26 anos e vivo na França. Sou natural do Porto. E claro, gosto de anime.

Quais são as tuas séries animes preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

Dragon Ball, Saint Seiya, Digimon e Pokémon. A que mais me marcou foi Saint Seiya. Tinha 5 anos quando a vi pela primeira vez, assim como as outras séries que referi acima. Foi um anime épico para mim. Os meus pais iam trabalhar e deixavam-me na ama. Ela punha no canal SIC Gold - já extinto – e eu ficava colado ao ecrã. Foi graças a ela que tive a minha primeira experiência com anime.

Então foi assim que entraste para o mundo do anime, ou não?

Na altura ainda não sabia o que era anime. Só com Digimon fiquei fã desta arte japonesa, quando via religiosamente todas as manhãs na SIC, assim como Pokémon. Digamos que tive uma pequena introdução no início do milénio 2000 com Saint Seiya, Dragon Ball, Digimon e Pokémon, tal como com o Samurai X no Batatoon. Nessa altura tinha 7 anos.

Desde essa época até às tuas primeiras andanças no mundo do fansubbing, como foi o teu percurso?

Só comecei no fansubbing com 16 anos. Durante esse tempo via alguns animes na internet, principalmente Naruto. Foi esse o anime que me fez procurar pelos episódios online. Antes disso via muito Canal Panda. As minhas séries preferidas eram Beyblade e Captain Tsubasa. Foi uma fase boa... diria que sim.

O que te fez entrar na comunidade do fansubbing?

Sinceramente, foi querer fazer igual aos outros. Descobri o GTA e foi aí que tudo começou. Ganhei o bichinho e comecei a legendar como os outros freelancers/fansubbers. Outra razão foi também ter em mente que podia ganhar algum dinheiro com os downloads dos meus projectos, isto na altura do MegaUpload. Agora só com um website próprio, como o TPA. Com proteção de links dá para se ganhar algum.

Em que ano entraste para a Projectos Old School? Lembras-te de como foi?

Entrei em 2015. O Tsu entrou em contacto comigo via mensagem privada no GTA, depois de eu ter postado num tópico sobre o material que tínhamos por casa. Entrei em contacto com ele e fui convidado a entrar na fansub. Perguntou-me por um anime que quisesse legendar. Eu falei no Great Teacher Onizuka e ele concordou. Legendei o primeiro episódio do GTO em 2014 e entrei na fansub pouco depois de o Revenge fazer a verificação. Depois legendei mais 3 episódios e foi aí que fiquei como membro da PoS.


Pode parecer uma pergunta estúpida, mas porquê a PoS? Porquê uma fansub dedicada a animes old school?

Para ser honesto, nem pensei sobre isso. Queria fazer parte de uma fansub e tinha sido convidado para entrar na PoS. Achei engraçado e interessante uma fansub dedicada a animes pré-2002. Não pensei duas vezes! Entrei e pronto.

Qual o teu projecto preferido de todos os que trabalhaste no grupo até agora?

Boa pergunta. Diria o GTO, por ser o meu primeiro projecto na fansub e por ter apoio tanto da equipa como dos nossos seguidores para continuar a trabalhar. Parei de traduzir a série devido a problemas pessoais, não por falta de vontade ou de apoio. Entretanto já estou recuperado.

O que mais gostas de fazer na fansub e porquê?

Dá-me gosto traduzir e legendar. Acho que é o papel principal numa fansub. Claro que os outros postos são importantes, mas prefiro a tradução. Gosto de traduzir e de adaptar.

Há alguma história divertida envolvendo a fansub que queiras contar?

Tirando a conversa no Discord... Quando entrei na fansub, convidaram-me para uma chamada no Skype. Fiquei a ouvir música e tinha o microfone como dispositivo de saída de áudio do meu PC. O Tsu e o Revenge tiveram de me dar mute.

Chegando ao marco dos 10 anos, achas que a fansub aguenta outros 10?

Acho que sim, tem tudo para aguentar. Somos cerca de 10 pessoas na equipa e temos mais de 1000 seguidores. Isto é um hobby. É claro que temos todos as nossas vidas, mas se dedicarmos algum tempo à fansub, vamos lançando algumas coisas. Um exemplo disso são os nossos projectos para o aniversário da fansub.

Para terminar, há alguma coisa que tenha ficado por dizer?

O Sporting vai ser bicampeão?
« Última modificação: Agosto 20, 2021, 23:18:50 pm por MidnightSunset »
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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #2 em: Agosto 21, 2021, 23:34:21 pm »
Entrevista blindrezo



Para começar, fala-nos um pouco sobre ti.

Chamo-me Jorge, nasci na África do Sul, os meus pais são Moçambicanos. Em 1992 viemos para Portugal e em 1995 fomos para o Canadá, onde ficámos até 2000. Depois estive um ano em Itália e voltei de vez para Portugal em 2000 e poucos.

E quando é que começaste a ver anime?

Foi na África do Sul, nem me lembro bem como, mas comecei com a versão inglesa do Macross, o Robotech. É uma versão adaptada para a cultura inglesa onde mudaram muita coisa, juntaram 3 séries japonesas para formar uma americana. Não sei quantos anos tinha. Transformers também. Embora seja uma série ocidentalizada, a animação foi produzida no Japão, ao encargo da Toei. O mesmo para o Thundercats. Eu vi isso tudo em criança. Sempre gostei mais desse estilo, mesmo sem saber o que era na altura. Eram desenhos animados ou cartoons, como lhe chamava.

Mais tarde, quanto estive no Canadá, é que aprendi realmente o que era anime, ou como era chamado na altura, Japanimation. Um dia, fui a uma Blockbuster e vi Robotech completo, para alugar. Agarrei na hora duas VHS de Robotech que levei comigo. Quando comecei a ver tive aquela sensação de me lembrar do que estava a ver e entrei em euforia. Voltei lá mais tarde para alugar as restantes VHS e vi tudo. Antes de devolver, dupliquei as VHS com dois VCRs, graças a isso, revi não sei quantas vezes. Foi assim que me viciei. Pedi incessantemente aos meus pais para me comprarem as novas versões que saíram depois, já legendadas, a edição da Streamline Pictures. Ao fim de um tempo, tive um amigo que me pediu essa edição para ver, e eu emprestei-lhe. Quando ele me devolveu, perguntei o que tinha achado e se tinha visto em inglês, ele disse que tinha visto em japonês porque era o idioma original, e para eu ver assim que era muito melhor. Até então não tinha interesse no idioma, mas a partir dessa altura nunca mais voltei atrás, vi sempre tudo em japonês e a comprar animação japonesa onde houvesse parar comprar. Quando não conseguia comprar, usava o meu modem de 28.8kpbs. O que havia maioritariamente para descarregar na época eram conversões digitais de VHS lançadas por fansubs dos anos 90.

Pergunta que fazemos a toda a gente: quais são as tuas séries anime preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

A que mais me marcou foi o Macross pelo que já disse. Foi o primeiro, foi uma história de amor que me marcou. Slayers talvez fosse o que veio a seguir. Tinha alugado alguns animes aleatórios em VHS, mas eram maioritariamente OVAs e embora fossem fixes, não me deixaram uma grande impressão. Então, quando encontrei o anime Slayers e trouxe as boxes, completamente ao calhas, deixou-me uma grande marca. Saber Marionnette J também gostei bastante. É difícil dizer 2 ou 3 porque eu gosto de bastantes. Mas sem dúvida que esses foram os que mais me marcaram porque foram os primeiros e cresci a vê-los.


Em 2004, sob o nome de Zelkun, tiveste uma fansub chamada CoA (Cup of Anime), uma das primeiras fansubs portuguesas. Como é que isto aconteceu?

Quando cheguei a Portugal fiz alguns amigos online através do canal anime no IRC. Também fiz muitos inimigos (risos). Um desses amigos que fiz falava inglês como eu, acho que o nick dele era The_Senpai, foi o que esteve na fansub comigo. Durante o princípio fomos só os dois. Lançámos o Hikyou Tanken Fam & Ihrlie ou também conhecido como Ruin Explorers. Naquele tempo eu só tinha o DVD americano comprado por mim e usámos isso como material. Era um passatempo, não levavámos muito a sério, estou ciente que tinha muitos problemas, muitos erros, mas estávamos a divertir-nos, a fazer experiências. Não sei quantos mais fizemos, mas sei que fizemos mais alguns. Não fiquei com nada disso.

Fizeram também RE: Cutey Honey.

Ah sim! Mas isso foi para o Anipop. Isso foi um projecto mais a sério. Primeiro fizemos o projecto para apresentar para o Anipop, depois como tantas pessoas gostaram, foram pedir para disponibilizarmos online e foi isso que fizemos. Normalmente o que era mostrado no Anipop não era distribuído online, como Utena, algo que mostrámos na época e nunca foi lançado online. Foram feitos alguns episódios e lembro-me que o pessoal também gostou bastante.

E mais tarde também lançaram os primeiros episódios de Macross.

Macross segundo me lembro chegámos mesmo a lançar, mas originalmente foi feito para os mini-pops, um evento no ISCTE e depois eventualmente nas instalações do Anipop. Lá tínhamos um bom espaço, um projector, boas colunas, aquilo estava aberto e as pessoas podiam entrar ao fim de semana para ver o que nós passávamos. Eu doei o meu VCR e as minhas VHS, era tudo NTSC, a ideia era ter uma colecção lá para verem o que queriam ver, mas não sei se alguém o fez (risos). Tínhamos também um computador lá com alguns DVDs para serem visualizados.

Isso é muito nobre e interessante. Mas eventualmente o Anipop extinguiu-se e a CoA também.

A CoA foi em 2007. Foi também nesse ano que me afastei da comunidade. Nesse tempo pertencia às comunidades portuguesas e estava muito envolvido com a cena portuguesa de fansubs, lembro-me do ptanime por exemplo, era um tracker nacional onde lançávamos os nossos projectos. Saí muito por causa da falta de tempo e paciência, mas também porque comecei a notar muito elitismo da parte de alguns grupos, falta de espírito de partilha, agressividade para com os novos membros da comunidade… muitas guerras infantis. O Anipop continuou a realizar-se, não sei quanto mais tempo, pois já não fazia parte da equipa.


E este ano deste connosco.

Foi tudo graças ao anime Call me Tonight. Eu ajudo a Orphan fansubs na parte do QC, tenho lá um amigo e tudo. Eles tinham lançado recentemente o Call me Tonight e por acaso reparei que na página desse anime no AniDB estava listada uma fansub portuguesa. Na altura pensei, isto deve ser brasileiro, alguém se enganou (risos). Mas através do nome da vossa fansub dei com o site e gostei do que vi, o mais importante é que era em português e estavam disponíveis mais animes que eu tinha começado a ver há tanto tempo atrás. Vocês estavam a fazer o que eu sempre quis fazer, lançar animes antigos, mesmo hoje em dia, em pleno ano de 2021, vocês lançam animes dos anos 80. Eu queria fazer isso em 2004, 2005, e nesse tempo muita gente reclamava até de lançamentos de animes dos anos 90, que eram relativamente recentes para mim. Por isso, vocês fazerem o que fazem e ainda estarem activos após tanto tempo, significa muito para mim. Mandei um e-mail para vocês a exprimir isto e o resto é história.

É verdade. Deu para ver que és uma pessoa impecável e que faz uma boa conversa. Verdade seja dita, foi muito aliciante porque te ofereceste para ripar os teus próprios laserdiscs para nós usarmos (risos). O Black Magic M-66 é o primeiro projecto a nascer desta junção. Podes falar um bocado sobre isto?

Eu uso o Domesday Duplicator para ripar os laserdiscs, tive muita sorte em ter um amigo meu que se disponibilizou para montar um para mim, senão isto nunca acontecia. O equipamento, ou seja, o leitor e o próprio laserdisc são meus, da minha colecção, sou amante do formato. E depois eu gosto de ajudar, partilhar, dar a conhecer. É uma das razões de estar na Orphan e agora convosco. Eu tratei da raw, do encode e vocês do resto. Também comprei uma placa para capturar VHS. Pena que ainda não chegou. Culpo as novas regras alfandegárias (risos).

Mas já tinhas feito projectos para uso próprio, certo?

Certo. Embora esteja activo em fansubs, acho que é uma tarefa chata, aborrecida. Sou muito perfeccionista e por isso levo muito, muito, muito tempo a ver o episódio para garantir se está tudo no sítio (risos). No caso do Black Magic M-66 está legendado em português e por isso não posso ver muitas vezes pois não consigo garantir que esteja tudo certo, por não dominar o português. Assegurei o vídeo, o áudio e pouco mais. Em inglês tenho feito alguns projectos para mim e nunca estou satisfeito com a qualidade. Meto pausa, retrocedo, vejo, repito para ver se não me enganei e estou ali horas. Não gosto de o fazer mas admito que de vez em quando seja um bom passatempo. Parte da minha "missão" é restaurar o vídeo como era originalmente, incluindo créditos op / ed, remoção de hardsubs de muitos dos primeiros títulos (que reutilizavam masters de VHS), bem como restaurar vídeos ou títulos alterados. Dragon Half e Photon são alguns exemplos disso.

Alguma coisa que queiras dizer para terminar? Achas que daqui a 10 anos estamos aqui de novo?

Agradeço imenso as calorosas boas-vindas. Todos vocês me acolheram bastante bem e já passámos bons momentos neste curto espaço de tempo. Quanto ao estarmos aqui, deixa-me dizer que… vocês terem durado 10 anos é uma grande conquista. Há pouco disseste-me que todos os anos ponderam se será o último, mas continuam a avançar, tal e qual o coelho das pilhas Energizer. Contra as odds estão aqui, se estamos aqui daqui a 10 anos, acho que depende, as coisas mudam, as pessoas assentam, muda-se de trabalho, aparece uma rapariga, faz-se família… tudo isso é um factor a ponderar. Se é possível? Eu digo: hell yeah.
 

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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #3 em: Agosto 22, 2021, 21:22:16 pm »
Entrevista Tomatrix


Para começar, queres falar um pouco sobre ti?

Chamo-me Tomás, tenho 34 anos, sou um nerd que vai vivendo a vida. Como tenho problemas de saúde, comparo-me com personagens de animes que também os têm, por exemplo o Jun Misugi do Captain Tsubasa ou o Toki de Hokuto no Ken. Personagens que podiam ser as melhores nos seus respectivos animes, mas que devido a problemas de saúde não conseguiram. Não consigo evitar identificar-me com esse tipo de personagem.

Animes preferidos, qual o que mais te marcou e porquê?

O primeiro anime que me lembro de ver foi o Saber Rider, uma versão americana do Seijuushi Bismark que deu em Portugal no princípio dos anos 90. Desde miúdo sempre gostei muito de mecha. Nos poucos tokusatsu que vi na TV, os Power Rangers, bem como o Turbo Rangers e o Jetman, o que eu curtia sempre ver eram os mechas, especialmente os grandes como o Megazord. Depois foi o DB, especialmente o DBZ. Esses marcaram-me por serem os primeiros. A nível de animes preferidos, eu gosto de todos os Gundams, mas o 00 talvez seja o meu preferido. O Yu-Gi-Oh foi algo que gostei bastante na altura que foi transmitido cá, fascinava-me os jogos mentais que faziam e também me introduziu às censuras americanas, quando comparado com a versão japonesa. E para finalizar, Cavaleiros do Zodíaco. Apesar de ter visto quando deu na RTP, só quando passou mais tarde dobrado em português é que comecei a gostar bastante. Quando apareceram os Cavaleiros de Ouro, havia sempre aquela curiosidade para ver o cavaleiro do teu signo, quando iria aparecer e como era ele. No meu caso, como sou Capricórnio, quando o Shura apareceu fiquei super contente. Sempre curti espadas e por ironia o Shura tem como ataque especial usar a espada do Rei Artur. O facto de ter passado completo, tirando o episódio da armadura de Sagitário, também contribuiu para isso.


Como entraste no mundo do anime?

Quando vi o Saber Rider no princípio dos anos 90 não sabia o que era anime. O conceito de manga/anime foi-me passado pelo Templo dos Jogos, quando começaram a lançar a colecção Manga e com as publicidades deles à colecção e mesmo ao próprio DB. Depois, acompanhei o anime dos anos 90 à medida que era transmitido cá, apanhei o começo da Radical e do Locomotion, esses canais já deixavam bem patente o que era ou não anime. Eu acompanhei muito o Locomotion, via tudo ou quase tudo o que deram. Quando Evangelion deu na SIC, não prestei muita atenção, mas quando passou depois para o Locomotion vi muitas vezes, as promos deles vendiam muito bem os animes. E o anime nessa altura dava a ideia que era uma coisa para adultos, os conceitos ainda eram muito underground, não havia a cultura otaku, havia sempre aquela coisa estranha, pessoal que estranhava os conceitos, pais que proibiam as crianças de ver. O Locomotion, para quem acompanhou, aumentava bastante esta ideia, a Radical no princípio também, especialmente quando começaram a passar hentai no segundo ano. Quando apareceu o Animax, fiquei com a ideia que o anime estava muito mais comercial.

Tens alguma história para contar desses tempos?

Tenho várias. Mas a melhor talvez tenha sido quando os filmes 12 e 13 de DBZ vieram para o cinema. Eu fui com o meu pai a Lisboa ver os filmes e nunca mais esqueço da malta toda a cantar o genérico de abertura, foi electrizante. Ainda hoje o meu pai fala nisso.

Porquê a Projectos Old School?

É um hobby que está associado à minha área de letras e linguística. A Projectos Old School deu-me esta oportunidade e eu aceitei, se não me engano foi para o projecto do Street Fighter II V, eu já tinha visto na Radical. Tive a oportunidade de rever animes que eu gosto desde sempre, como CDZ, HNK, etc. Acabei por participar em muitos mais desde então e aqui estou.

Qual o teu projecto favorito de todos os que trabalhaste na fansub?

Não sei dizer bem. SFIIV foi o meu primeiro trabalho, o primeiro é sempre aquele que fica na memória, e claro, pelo factor nostalgia. Reparei que o pessoal tinha uma organização boa sobre quem fazia o quê e depois ficámos a falar todos daquele episódio que tínhamos acabado de despachar, fazia-me lembrar os tempos de antigamente. Quando estivemos a fazer o projecto do Highlander, nunca tinha visto o mesmo em japonês e gostei da experiência, se não fosse a fansub provavelmente nunca teria tido essa oportunidade. Depois Hades Santuário e o Getter Robo foram animes que gostei de rever pela nostalgia. Gostava de trazer algum anime de Gundam para a fansub, em tempos falou-se na trilogia de filmes original, mas nunca foi para a frente, o que é uma pena.

Tens alguma história que envolva a fansub que queiras contar?

Os podcasts que fizemos em tempos foram engraçados, quando me convidaram para conversar e ser gravado gostei da ideia, mas o primeiro não correu muito bem porque nós dispersámos muito. Com a continuação fizemos mais e já estavam bem melhores. Lembro-me de um que tivemos de Devilman e esmiuçámos toda a franquia, foi quando saiu o Crybaby, recordo-me que tivemos que cortar uma parte do podcast porque ficámos a falar mal do anime durante tempo de mais. Para quando mais um podcast? (risos).

Achas que daqui a 10 anos estaremos a celebrar o 20º aniversário?

Diria que sim, os animes antigos estão a ter um boost ultimamente, não sei se serão todos nostálgicos, mas há muita gente a apoiar-nos e isso é um bom indicador. Se não houver mais pandemias ou coisas parecidas, diria que estaremos aqui a falar daqui a 5, 10, 15 anos (risos). Que venham novos projectos, a fansub tem crescido, como disse gostei de ver que temos muitos seguidores. Por exemplo, há uns tempos estava a ver um youtuber que estava a analisar um anime e usou a versão da PoS do anime para o efeito, fiquei admirado e surpreso. Eu pelo menos estarei cá.
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Offline Revenge

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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #4 em: Agosto 23, 2021, 23:04:42 pm »
Entrevista Ricardo de Libra


Primeiro, fala um pouco sobre ti.

Chamo-me Ricardo, no mundo virtual sou o Ricardo de Libra, tenho 36 anos.

Séries anime preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z e Samurai X. O que mais me marcou foi CDZ, muito devido à tenra idade e à grande capacidade de deslumbramento na altura em que assisti (1992). Ficou-me na memória a aparição dos Cavaleiros de Aço e o combate entre Algol e Shiryu devido à violência extrema do embate. A imagem do Shiryu a arrebentar os olhos para ganhar ao Algol foi uma cena que me fez bater mal na época. Desde essa altura tornou-se o meu anime favorito sem margem para dúvidas. O gosto pelo anime deu-se inconscientemente nessa altura com CDZ e depois evoluiu para um gosto consciente com Dragon Ball em 1995 e as VHS da Manga, comercializadas no final dos anos 90. Os animes dos anos 2000 já pouco ou nada me disseram na sua maioria.

No passado foste fansubber por conta própria, destacando-se a edição de DVDs. Porque decidiste seguir esse hobby?

Demasiado tempo livre. E queria legendar projectos para mim mesmo que não existiam na minha língua nativa. Já era coleccionador de DVDs originais há alguns anos e meio que transportei esse requisito para os meus projectos pessoais para posteriormente também os juntar à colecção, por isso: editar/ inserir legendas sem ostracizar o conteúdo de origem. A acompanhar as edições fazia também capas costumizadas e impressas à medida em papel próprio. Nesse sentido contribuiu muito ter visto o mau trabalho da Prisvídeo para com os filmes de DBZ em DVD, colecção essa que comprei original, mas substituí com capas feitas por mim. Verdade seja dita, as capas não eram o único problema desses DVDs, eu mais tarde fiz edições custom dos filmes usando as Dragon Boxes e ficou um lançamento muito melhor que o português, com vários áudios, extras e o melhor de tudo, uma grande qualidade de imagem. Fiz também alguns DVDs de Saint Seiya nos mesmos conformes.

Como um dos fundadores, lembras-te como nasceu a fansub?

A fansub nasceu pouco depois de abordar o Revenge num fórum da altura em que ele tinha postado um projecto old school e reparei no avatar que ele tinha de Hokuto no Ken. Depois de ver alguns projectos que ele já tinha postado, percebi que havia ali talento e que ele, apesar de jovenzito, gostava de animes decentes, coisa que não era muito habitual nesse fórum, diga-se de passagem. O nosso primeiro projecto nestes conformes foi o Shin Hokuto no Ken. Depois disto, as coisas foram-se desenvolvendo até os restantes membros também serem abordados (Tsu e Portnoi), tendo tudo por base o gosto em comum por animes antigos. Eu já os conhecia e apresentei-os. Houve consenso e o resto já todos sabem. O Tojaman iria ser membro da fansub, mas só para lançar projectos em DVD. Isto é, iríamos lançar nos formatos habituais das fansubs da época e também com edições em DVDs que seriam editados por mim e pelo Toja, já que na altura éramos quase os únicos com o conhecimento técnico para tal na comunidade. Ainda chegámos a lançar projectos em DVD os dois no ADC e no animeland. Depois fiquei eu a tratar disso sozinho e foi assim que fiz os DVDs da fansub que foram postados no antigo ADC.


Foste tu quem elaborou o logotipo da fansub, bem como as imagens que usávamos na altura para o site. Eras por assim dizer o designer oficial da fansub.

Sim, sempre gostei de usar o PS, gosto que adquiri ao fazer capas para os DVDs. O logotipo da fansub foi feito um bocado em cima do joelho, nós precisávamos de um logo e não havia ideias. Como a ideia principal era a fansub trazer animes da Manga Entertainment que saíram em VHS em Portugal nos anos 90 (ou com o mesmo “toque” old school), o logotipo foi criado a partir do antigo da ME por mim e na altura todos gostaram. Também era eu que fazia os avatares para a malta e as imagens para o FB.

Em 2015, abandonaste a fansub a tempo inteiro e desde então tens feito participações muito pontuais. Achas que há alguma coisa que tenha ficado por lançar na tua opinião?

Por agora não me ocorre nada. O único projecto que comecei e gostava de ver terminado foi o SFIIV, coisa que já aconteceu, graças aos restantes membros que o continuaram. Um anime lindo e que na altura que foi lançado só existia a nossa versão em português! O produto final ficou com uma qualidade espectacular.

Agora que a fansub fez 10 anos, achas que aguenta mais 10?

Sem dúvida. O Revenge e o Tsu já provaram que são determinados e que nem um nem outro deixarão a fansub morrer. O sangue novo, a restante equipa, também tem contribuído imenso para isso. E quem sabe um dia volte a tempo inteiro.

Alguma história divertida que tenhas para contar que envolva a fansub?

A operação “Bafo de Bode”. É uma longa história, por isso fica para a próxima.

Para terminar, alguma coisa que não foi abordada que queiras realçar?

Sim. O Discord da fansub está cheio de malucos. O Tsu está cada vez pior. E o Portnoi não deixa saudades.
 

Offline MidnightSunset

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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #5 em: Agosto 24, 2021, 21:45:02 pm »
Entrevista Turunksun


Apresenta-te aos leitores.

Sou o Telmo, tenho 36 anos, e sou fã de animação desde muito novo. Nos anos 90 via muita animação japonesa, sem saber que o era, e apaixonei-me pelo estilo. Vivo na Bélgica desde 2008, sou casado e tenho duas filhas. Sou um dos fundadores da fansub. Aqui na Projectos Old School dou pelo nome de Turunksun, mas sou mais conhecido como Tsu, porque o meu nome era muito complicado de dizer. Na altura, quando inventei o meu nickname, não tinha ideias, então inspirei-me no Trunks do Dragon Ball. Actualmente, vou gerindo o meu tempo para ajudar na fansub.

Quais foram os animes que mais te marcaram na juventude?

Cresci a ver o Raio Azul (Aoi Blink), o D’Artagnan (Anime Sanjuushi), a Bia (Majokko Megu-chan), A Ilha do Tesouro (Takarajima)… era pequeno, devia ter uns seis anos. Eram séries que gostava muito de ver. Na altura ainda não havia Dragon Ball nem Sailor Moon em Portugal. Agora sou fã de One Piece, mas quando era pequeno, via A Ilha do Tesouro todos os dias, e aquilo era japonês e eu não sabia. O que me marcou mais foi o Raio Azul, porque para já, tinha um personagem com o meu nome, Telmo, e também por ter gostado muito do enredo imaginário. Não quero dar spoiler, vejam o anime que é muito bom. É uma obra que vem de um mangaka bem conhecido, Osamu Tezuka, que faleceu em 1989, altura em que o anime estava a ser produzido. Mas pronto, o anime que me marcou mais foi o Raio Azul, até o D’Artagnan, que tinha uma narrativa muito diferente do livro original do Alexandre Dumas – eu não lia com aquela idade (risos) – mas que nos entregava um pouco da história. Na vida real, depois vim a descobrir que havia uma personagem que não tinha as mesmas características do anime.  Depois veio o Dragon Ball, a Sailor Moon… e o anime foi crescendo.


Quando é que começaste a ter noção do que era anime?

Isso é muito fácil. Eu andava nos Escuteiros aos sábados, ia à igreja e à catequese de manhãzinha. E entre a catequese e o coro, eu desaparecia e ia dar uma volta a Cascais, ali na zona, porque aquilo ficava ao pé da cidadela. Nessa cidadela havia uma papelaria, em 1997. Um dia, vi lá uma revista espanhola, a Dokan, que é referência para muitos, de certeza. Tinha imagens de Perfect Blue na capa. Ainda hoje tenho essa revista comigo, era a nº6. Cortei as páginas e guardei-as em micas. É um tesouro para mim, a primeira revista espanhola que comprei sobre animação japonesa. E aí comecei a ver temas de Dragon Ball, CDZ, Sailor Moon, Perfect Blue que tinha acabado de sair… foi quando comecei a entender mais ou menos a diferença entre cartoons e animação japonesa. Se formos a ver, eu já fui um bocadinho tarde… em Espanha já havia eventos de cosplay e animação japonesa em 1997.

Então foi com esses conteúdos vindos de fora que começaste a entender a diferença entre animação japonesa e animação ocidental.

Sim. Já tinha visto umas cassetes da Manga Entertainment, antes disso. Pensava: “Manga… isto diz-me alguma coisa… Manga é fixe, tem um estilo de animação altamente, madura…”. Eu ia aos blockbusters e não me deixavam alugar as cassetes, e tampouco se sabia que aquilo era animação japonesa. Manga naquela altura era animação de topo. E ainda é, mas era mesmo do topo nos anos 90. Acho que a primeira cassete que tive da Manga foi a do 3x3 Eyes. Mas de facto, o que me fez mesmo entender o que era anime foi uma revista porque… tens referências, mas não sabes de onde vieram. Hoje em dia é diferente, um miúdo de 11 anos já sabe o que é animação japonesa, está muito melhor informado do que antigamente. Nos anos 90 tinha de se investigar muito para saber o que era.

Já eras fansubber antes de criar a PoS. Queres falar sobre isso?

Comecei como freelancer, a tentar legendar. Fazia o que muita gente fazia antigamente, as chamadas dubtitles. Ou seja, pegava na dobragem e transcrevia. Porquê? Era um gajo que não conhecia nada!

Então espera, tu pegavas numa dobragem, transcrevias essa dobragem e depois colavas no original?

Ya… Ganda assassino, não sabia de nada… Quando vim para Bruxelas em 2008 não conhecia nada e metia-me a fazer isso. Depois comecei a pesquisar, a ter programas de legendas, fui aprendendo. Por exemplo, quando conheci o fórum Sanjuushi Home Realm. Foi fundado em 2008, acho que passado 3 dias estava eu registado. Era muito participativo, falava muito com a Lyrrinne, administradora. E um dia ela convidou-me a ser administrador também, se forem lá o site ainda está acessível, apenas está off. Não há muito movimento. Houve uma altura em que aquele fórum funcionava, mas depois o tempo passou, as pessoas desligaram-se… a vida continua. Isto é típico. Depois disso, descobri o GTA. Passado um mês, o Diogo Moura, que era o responsável, pôs-me diretamente como Gold Membro, porque acreditem ou não, em um mês fiz mais de 1000 e tal comentários.


Uau… Isso é obra!

Não, é porque eu não tinha vida (risos). Eu “trabalhava” muito pelo computador, tinha uma vida fácil… Passado uns dois anos, fui convidado a juntar-me à moderação. Mas é assim, no fórum do Sanjuushi tive a minha primeira experiência em revisão. Lançámos o filme, traduzido por um amigo japonês da Lyrrinne. Depois disso, saíram os DVDs portugueses e lancei em DVDrip. Mas aí não se pode chamar fansubber, é mais um ripper. No GTA é que entrei mais no fansubbing, ainda como freelancer. Legendei o especial do Yaíba, Detective Conan – que ainda tenho comigo, e que ainda está no site – e mais uns dois ou três projectos. Nessa altura era inexperiente, o Português começa a ficar esquecido, mesmo quando falo. É que são 15 anos a falar francês e a ler PT-BR, porque sigo muita fansub brasileira. Depois em 2012 ou 2013, entrou o Novo Acordo Ortográfico cá em Portugal, que é praticamente abrasileirado. Apesar disso, aqui na PoS usamos o Antigo. Ser freelancer ajudou-me a não esquecer totalmente o Português.

E falando então na fansub, como é que nasceu a Projectos Old School?

Bem, eu estava na moderação do GTA, e o Revenge tinha entrado com um projecto de Urusei Yatsura, que tinha passado na SIC Radical. Eu lembrava-me de ver aquilo às duas da manhã, e fiquei espantado: ‘’olha, alguém está a legendar!”, ele já tinha 10 episódios legendados. Falei com ele e pedi-lhe para legendar o Cyber City OEDO 808. O Ricardo de Libra, que também andava lá no fórum a apresentar os seus DVDs customizados, também falou com o Revenge para legendar umas OVAs de HNK. Então, o Libra veio com a ideia de criar uma fansub. Na altura, eu também conhecia o Revenge de um fórum de metal e achei engraçado. Também havia o Portnoi88, que tinha os áudios em português do Raio Azul. Falámos entre todos e abrimos a fansub a 20 de Agosto de 2011. O nosso primeiro projecto foi o Baoh Raihousha. Apesar de tudo, muitos grupos da altura tinham dúvidas sobre a nossa fansub. Havia o hábito de se criar uma fansub, lançar dois ou três episódios e desaparecer. Algo que nós decidimos fazer foi especiais e filmes, assim não deixávamos nada a meio. Mesmo assim, desapareci durante uns meses, tive umas aventuras turbulentas pelo meio (risos)… acho que chegaram a lançar alguns projetos sem mim. Naquela altura, havia grupos que desanimavam o pessoal de forma a pescar pessoas novas para eles mesmos. Já eu tentava proteger as fansubs.

Qual é o teu projeto favorito até agora, tendo em conta que estás aqui há 10 anos?

Para mim, o Tenchi Muyo é um projeto que está a ser prazeroso, apesar de demorar muito tempo a ser feito. Temos de contar com o tugatomsk, ele é que trata dos áudios. O projecto só é possível graças a ele. Eu e o Revenge tivemos a oportunidade de entrevistar o Rui de Sá. Nem toda a fansub portuguesa conseguiu entrar em contacto com algum actor/dobrador para falar sobre o anime X. Nós falámos sobre o Tenchi Muyo e no final até perguntámos se não estaria interessado em narrar o Dragon Ball Super – na altura ia estrear cá, ele disse “quem sabe” e a verdade é que depois aconteceu. Gosto muito do Tenchi Muyo, está quase a terminar… Gosto também dos projectos que lançámos em dual áudio, o Fatal Fury, o Art of Fighting, que saíram em VHS com dobragem, nunca ninguém quis saber disso e fomos nós que restaurámos tudo. Resumindo, gosto dos dual áudio que são difíceis de encontrar. Apresentamos coisas que não se encontram em mais lado nenhum.

Tu és capaz de desempenhar várias funções aqui na fansub… o que é que gostas mais de fazer?

Com o meu estilo de vida, é muito difícil legendar porque tenho as crianças em casa. É preciso ter uma concentração… eu traduzo, mas também quero ouvir o áudio, para poder adaptar tudo direitinho. Faço muito isso. Traduzir não é dos meus pelouros, mas se for preciso, dou uma mão, como já o fiz. Adoro fazer os timings e o typesetting, mesmo só usando o Aegisub. Houve uma altura em que estive a aprender a fazer karaoke, mas não tenho muita paciência.


Lembras-te de alguma história divertida que envolva a fansub?

Nós picamo-nos muito uns aos outros, eu, o Revenge… na altura o Libra também… eu picava muito o Portnoi, por isso é que ele saiu, infelizmente não aguentou a pressão do “bullying” aqui. Mas a porta está sempre aberta, se ele quiser voltar. Fazíamos entre nós, mas era um bullying meio soft radical. Sabíamos que era a brincar, agora quem não tem aquela força… Eu às vezes também me chateio a sério, e às vezes venho com aquelas histórias de “vou sair da fansub” (risos). Mas pronto, não vale a pena, é birra. Uma coisa que acontecia muito era um de nós fazer passar-se por outra pessoa de outra fansub, como o Libra fez, e depois era feito um teste de fidelidade para ver se éramos fiéis à fansub, se protegíamos os amigos… Agora, assim histórias memoráveis… infelizmente nunca tivemos uma saída, porque somos todos bebedolas. Não é só o Bebedolas Belga, são todos bebedolas!

És um grande coleccionador de tudo o que é relacionado com anime antigo, desde mangas a dramas em áudio. Achas que este gosto foi adquirido, ou pelo menos aumentado, graças à fansub?

Nada disso. Faço coleção de coisas de animes desde 1997. Simplesmente o meu budget aumentou relativamente desde que vim para Bruxelas. Quando entrei para a fansub, já contava com uma coleção de mangas, figuras, DVDs e OSTs.

Chegámos a um patamar em que é interessante falar sobre o futuro da fansub. Quanto tempo achas que vai aguentar?

Gosto sempre de falar deste ponto porque a fansub já esteve para fechar (risos). A ideia de fechar a fansub já vem desde 2016. Na altura pensava que quatro ou cinco anos já era muito bom para uma fansub portuguesa – e ainda acho, nem outras fansubs antigas de renome como a Spartakus viveram assim tantos anos. O objetivo era terminar os projectos existentes e fechar a loja em 2019, 2020. Mas já se sabe como é, vai-se lançando uma coisa ou outra, há momentos em que estamos mais parados, mas sempre se lança qualquer coisa. Na nossa perspectiva, a fansub ia durar cinco, seis anos… e que em 2021 fechávamos tudo.  Mas não há uma data. A verdade é que a equipa tem vindo a crescer nos últimos anos. Qual é o sentido de fechar uma fansub que está a crescer? Se aguentarmos mais 10 anos vamos ser das fansub mais antigas de Portugal ainda no ativo. Para mim é um orgulho haver uma fansub old school que dure 10 anos, apesar de nem sempre se lembrarem que nós existimos, quando ao mesmo tempo uma fansub qualquer decide lançar um projecto old school e vai tudo à loucura.

Tendo em conta que temos bastantes seguidores do Brasil, e com a existência de fansubs old school brasileiras, como é que olhas para isso?

Nós somos muito falados na comunidade brasileira. Por exemplo, fomos a primeira fansub a lançar Shoujo Tsubaki com legendas em português, e nessa altura as fansubs brasileiras falavam “A PoS lançou isto, lançou aquilo”. No Youtube, os nossos projetos andavam muito por lá, principalmente aqueles mais gore. E os brasileiros são pioneiros no lançamento de anime old school, têm muitas fansubs dedicadas a isso. Não sinto qualquer tipo de concorrência, muito pelo contrário.

Se fosse hoje, voltarias a criar uma fansub de raiz?

Não. Como se sabe, crescemos e a nossa vida muda. O ritmo é diferente e se tivermos filhos mais complicado fica. Não me aventuraria.

Queres dizer mais alguma coisa?

Estou muito contente com o nosso crescimento. Temos a MidnightSunset, única voz feminina na fansub, que tem a coragem de estar aqui no meio de malucos; o Deity, que ultimamente tem estado mais ativo e a incentivar a equipa; o Revenge, que agora tem estado a trabalhar; o frankofdl que ajuda como pode… Olha, vou ter de ir que as minhas filhas espalharam gelatina por todo o lado!
''But my tears end up coming forth, I'm a girl after all...''

- Kozue Ayuhara
 

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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #6 em: Agosto 25, 2021, 23:02:54 pm »
Entrevista MidnightSunset


Para começar, fala-nos um pouco sobre ti.

Sou a Salomé, tenho 19 anos, sou da zona de Sintra e vou para o segundo ano da faculdade num curso de música. Gosto de anime, estou aqui, não é? (risos). Sou uma pessoa de gostos peculiares, sempre gostei de coisas de que não é comum gostar, pelo menos uma pessoa da minha geração ou idade. Lembro-me que gostava de música mais antiga e os meus colegas que só ouviam música da actualidade gozavam comigo por causa disso. A mesma coisa com o anime, agora que olho para trás. Sou uma pessoa do século XXI que gosta de animes antigos.

Ou seja, és uma pessoa contemporânea?

Gosto de coisas do antigamente e da actualidade, não sou daquelas pessoas que diz que o antigamente é que era, acho que dá para viver com gostos dos dois lados.

És uma rapariga numa fansub de rapazes e tentas trazer shoujo para a fansub, género que antigamente era uma mera miragem aqui. O que achas disto?

Eu acho que dá versatilidade à fansub. Já se fazia todo o tipo de anime obscuro, shounen, até hentai se fez. Só faltava a parte mais feminina, era o toque que faltava aqui, pois assim a fansub abrange todos os géneros possíveis. Eu já trouxe mais coisas sem ser o Ace wo Nerae, nunca vi grande problema em trazer anime mais feminino. Se alguém não gostar, não vê, mas há sempre pessoas que vêem.

Séries de animes de preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

Séries de anime preferidas não consigo dizer porque estou sempre a mudar, eu nunca tenho uma durante muito tempo porque depois descubro outra e torna-se a preferida. Mas se há uma que me marcou, é Dragon Ball. É super cliché, eu sei, mas foi o que me puxou para a comunidade. Eu tive uma grande pancada por este anime durante uns anos, especialmente pela dobragem portuguesa. Devia ter uns 11, 12 anos quando descobri que dava na SIC Radical. Vi todas as temporadas por aí e comecei a acompanhar religiosamente. Lembro-me de às vezes dormir na casa dos meus avós e de manhã a minha mãe me acordar, ligando a TV na SIC Radical que nessa altura transmitia o Kai. Depois como já havia internet fui pesquisando e descobrindo coisas, como curiosidades da dobragem. Hoje em dia já não sou tão apegada, mas se for preciso vejo outra vez, fui ver o filme novo do Broly ao cinema, mesmo quando DB já não me dizia tanto. Uma série que posso dizer que é das minhas favoritas é Attack No. 1, que é um anime que mistura shoujo com desporto e cuja mangaka se inspirou num acontecimento real. A história é muito boa e foi revolucionária para a época em que saiu, em 1968. Depois veio Sailor Moon, que ia vendo no Canal Panda, entre outros animes mais infantis que passavam por lá. Agora, estou a ver Versalhes no Bara e ainda nem vou a meio, mas já estou a achar que vai ser dos meus preferidos.


No teu tempo livre fazes covers de música, de onde veio este gosto?

Sempre gostei de cantar. Quando era pequena já dava “espectáculos” na praia, a cantar canções infantis agarrada ao pau do chapéu (risos). Foi um gosto que realmente cresceu comigo. Nas férias de verão nunca digo que não a um karaoke, é algo que já faço há muitos anos. Depois, já graças à internet, descobri toda uma comunidade de fandubs e covers de anime. Na mesma altura, estava para chegar o Dragon Ball Super a Portugal e eu estava super entusiasmada para saber como ia ser o tema de abertura, tanto que comecei a inventar uma letra na minha cabeça. Foi em 2016, lembro-me bem. Durante duas semanas, enquanto ia e voltava da casa dos meus avós, adaptava cada verso mentalmente, e quando chegava a casa, apontava tudo num bloco de notas. Quando terminei, fiz uma gravação no Audacity. Como gostei tanto do resultado, resolvi postar no Youtube. Na época, recebi maioritariamente reações positivas, o que me fez continuar a adaptar letras e, consequentemente, criar um novo passatempo. Hoje em dia, esse vídeo já não está público, aquilo está péssimo (risos)! Mais tarde, para além de temas de anime, comecei também a cantar k-pop, graças a algumas amizades que fiz na comunidade. Actualmente, ando um pouco desinspirada e sem tempo também, mas ainda não perdi o gosto pelo canto, tanto que estou seriamente a pensar em investir numas aulas ainda este ano.

Começaste a procurar por animes graças à internet e a aprender mais sobre eles. E foi numa dessas pesquisas que nos encontraste?

Eu andava na net já em alguns fóruns por causa de dobragens, sempre gostei de dobragens e de ver as aberturas no YouTube. Na altura apareceu-me a do Tenchi Muyo! e eu nem conhecia o anime nem tampouco sabia que tinha dobragem portuguesa, fiquei espantada e lembro-me que foi super difícil encontrar coisas sobre isso. Nesses fóruns onde andava, vi uma mensagem do Tsu a promover o fórum da PoS e que tinha lá o Tenchi, saquei e gostei do trabalho. Fiquei surpresa por existir uma fansub dedicada a animes antigos. Sempre gostei de fazer legendas, se não estivesse em música provavelmente estaria a tirar um curso de tradução ou algo do género, e como já tinha o interesse nos animes antigos juntou-se o útil ao agradável. Depois entrei em contacto com a página do FB, onde falaram comigo e me deram a oportunidade de fazer a verificação do Vampire Hunter D, OVA de 1985. Nunca tinha visto nenhum anime deste género. Também nunca pensei fazer parte de uma fansub, mas cá estou eu. Desde que estou na fansub já vi muita coisa diferente e é por isso também que gosto de estar aqui.

Qual a tua tarefa favorita aqui na PoS?

Eu faço quase tudo sem ser encode e type. Gosto de traduzir, porque gosto de pegar num idioma e adaptar, é sempre giro transformar as expressões de uma língua para a outra e pensar como a personagem falaria em português. Hoje traduzo do inglês, mas um dia espero traduzir do japonês.

Estás na fansub desde 2017. Qual o teu projecto favorito até agora?

Neste caso sou da opinião do Tsu. Gosto dos projectos em dual áudio também pela mesma razão: são coisas raras, que não se encontram em mais lado nenhum e que me enche de orgulho sermos nós a trazer. Como eu gosto de as colecionar (e vocês já me passaram coisas de VHS raríssimas), é algo a que eu dou muito valor. E é claro, o Ace wo Nerae, porque foi o primeiro projecto que escolhi e onde sou tradutora.



Tens alguma história divertida que envolva a fansub?

Tirando o Discord, onde há sempre conversas engraçadas - quem quiser ver é só passar por lá, o primeiro projecto em que participei tem uma história engraçada. Eu fiz a verificação e lembro-me que havia lá uma palavra que estava mal escrita e metade ou mais das correções era sempre aquela palavra: “incenço” quando devia ser incenso. Era um incenso especial que adormecia os vampiros no filme. E depois no fim escrevi “uau, isto é muito incenso” e a malta toda achou muita piada, acho que até se tornou num meme na altura (risos).

Achas que a fansub aguenta mais 10 anos?

É difícil saber. A verdade é que tem sido cada vez mais difícil acabar projectos, nós temos muita coisa a meio, são coisas que já aqui andam há imenso tempo… Nós não temos muita disponibilidade porque temos vida fora disto, a fansub é um passatempo, temos estudos e empregos para além disto. Por um lado, diria que não, que isto não vai durar mais 10 anos. Seria acabar o que temos a fazer, mais dois ou três anos, e depois fechávamos portas. A questão é que estão a entrar muitas pessoas novas para a fansub, há sempre mais malta para ajudar e vamos continuando. E cada vez mais temos mais pessoas a apreciar o nosso trabalho, isso dá para ver pelos comentários e no Discord. Tudo isso faz com que o nosso esforço valha a pena. Acho que estou na fansub certa e por agora não vejo por que parar.

Alguma coisa que queiras dizer que não foi dita?

Vão ler as entrevistas dos outros membros, porque estão muito interessantes!
 

Offline MidnightSunset

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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #7 em: Agosto 27, 2021, 01:49:05 am »
Entrevista Revenge


Introdução da praxe: fala-nos um pouco sobre ti.

Acho que não há muito para dizer. Sou uma pessoa simples, moro numa aldeia do Norte Alentejano, tenho 28 anos. Penso não ser muito bom a descrever-me, mas acho que sou uma pessoa nostálgica, passo a vida a pensar no passado… e é por isso que estou aqui. Gosto de ler, de ver TV, de beber uns copos, de ir ao cinema, de ver desporto, de ir a concertos… Gosto muito de viajar, mas viajo menos do que gostaria.

Qual é a tua série anime favorita e a que te mais marcou?

Penso que tenha sido Dragon Ball. É muito clichê, não é? Porque o Dragon Ball foi o primeiro de muitos portugueses, especialmente da minha geração. Foi o meu primeiro vício, a minha primeira cola, foi o meu primeiro desenho animado, porque na altura não sabia que era anime – lá está, dois clichês num só. Não perdia um episódio (ou tentava não perder), a SIC a também fazia muito por isso porque o repetia como se não houvesse amanhã. Lembro-me dos horários todos. Isto foi por volta de 1998. A qualquer pergunta que seja nesse sentido de animes favoritos tenho de responder Dragon Ball, e neste caso estou a incluir o Z e o GT, para mim é tudo a mesma coisa. Depois, tenho de referir CDZ. Na altura em que isso foi transmitido cá pela segunda vez, em 1999, não consegui prestar muita atenção, devido ao conflito de horários. Mas marcou-me, certos episódios que vi, como o Milo contra o Hyoga. Quando tive internet, peguei nessa memória e fui rever, gostei bastante. É dos meus animes preferidos até hoje. Depois veio o Samurai X. Vi na altura que deu na TV e fiquei viciado. Vi muitos outros sem grande impacto, até que uns anos mais tarde, em 2004, aparece Urusei Yatsura que foi o primeiro anime que vi em japonês. Foi o meu primeiro contacto com o idioma, porque não sou do tempo dos primeiros animes em japonês nas estações televisivas e foi uma experiência e tanto. Era completamente novo para mim, ao início estranhei, mas depois interiorizei e já não queria saber de anime em português. E UY tornou-se num dos meus animes favoritos, marcou-me imenso. A partir daí comecei a acompanhar o Banzai, um bloco de anime na Radical que só dava anime legendado. Desde então, praticamente só vejo anime legendado, exceptuando um ou outro caso. Mais tarde, houve outro que me marcou. Tinha acabado de ver Death Note e tinha gostado muito daquele contacto com anime adulto, diferente do que eu estava habituado a ver. E à conta do DN, veio o Monster. Vários amigos me recomendaram o anime devido a ter gostado de DN, e acabei por gostar ainda mais. É do género seinen, mas menos fantasioso, o que me seduziu bastante. Não tinha chegado sequer a meio e já achava que era a melhor coisa que tinha visto na vida. Foi um anime que me marcou como pessoa, que me pôs a pensar em muita coisa. Só vi Monster uma vez, porque tenho medo de mudar de opinião se o vir outra vez. Em manga diria Homunculus pela mesma razão, dá que pensar.

Pensar-se-ia então que foi apenas com a internet que entraste para o mundo do anime/manga, mas aparentemente as estações televisivas também deram uma ajuda, principalmente a SIC Radical com anime em japonês.

É assim, eu ainda faço parte da geração pré-internet, sou de 92. Só tive internet em 2007, já durante adolescência, antes disso só na escola ou em casa de amigos. Acho que a televisão me marcou tanto como a internet, estou aqui no meio. Eu passava muito tempo sozinho, agarrado à TV e ao VCR. A SIC tinha a melhor programação, por isso perdi muita coisa boa que passou na TVI e na RTP devido a sobreposições. Se me falarem em Yaiba, lembro-me de ver um episódio ou outro, mas não seguia. Agora se me falarem em animes da SIC, que davam às 6, 7 da manhã, eu via tudo. Como já foi dito por outros membros, não tinha ideia do que era anime e só comecei a ter ideia do que era graças à Radical, eles referiam o termo. No início, quando comecei a usar a internet, não sabia que era tão vasta, que dava para pesquisar sobre anime, pensava que era só para pesquisar coisas para a escola. Éramos inocentes. Estou a falar de 2001, 2002. Mas um dia, experimentei pesquisar Dragon Ball, encontrei montes de sites e fóruns. Ia para a biblioteca da escola, requisitava um computador e ia pesquisar sobre os animes que davam na Radical, guardava imagens em disquetes e já tinha sites que frequentava assiduamente, por exemplo o myfavoritegames (um site de DB, dos melhores da altura). E pronto, depois quando tive finalmente um computador meu e internet em casa, comecei a ver anime mais a sério. Vi alguns que tinham saído recentemente, Ergo Proxy, DN, Speed Grapher, DMC, Claymore... e outros que quis rever pela nostalgia como já referi. Quanto a manga, algo que me chamou a atenção foi ver o pessoal a dizer nós fóruns que o manga de Samurai X era muito diferente do anime, então foi o primeiro manga que tenho memória de ler na net. Fiquei boquiaberto de quão melhor é, as diferenças, especialmente o pós-Shishio. Foi a segunda obra que li, através de uma scanlator portuguesa, a MangaPT. Na altura acompanhei os lançamentos deles, estava sempre lá batido. Hoje em dia o mangá está licenciado, coisa que nunca pensei ver. Antes disso apenas conhecia o manga de DB, tenho a edição da Planeta DeAgostini desde o lançamento em 2001, foi o que me introduziu ao mundo do manga, mas como todos sabem, foi sol de pouca dura e tivemos poucos títulos manga durante anos. Se não fosse a net...

No meio disto tudo, como é que foste parar à comunidade do fansubbing?

Foi a tentar fazer igual aos grupos que seguia. Já andava nas comunidades em que eram partilhados os projectos das fansubs da época e pensei “se calhar também consigo fazer isso, pego numa legenda, traduzo e espeto no vídeo, depois lanço e as pessoas vêem”. No início era um bocado teimoso, só quando pedi ajuda à comunidade é que as coisas começaram a correr melhor. Estamos em 2009. Lembro-me de ter procurado pelo Samurai X e de ter encontrado em PT-BR, legendado. Saquei, mas depois o Kenshin começava a dizer “oro, oro, oro” e estranhei muito, porque ele na versão portuguesa não diz nada disso. Eu disse que só via animes em japonês, mas esta é uma exceção à regra, RK quando revi foi em português e penso que a qualidade do texto e das vozes está a par com o original. Mesmo a versão inglesa também é bastante boa. Ao procurar outra vez, encontrei o GTA. Lá havia o projecto do Fábio Seixal, saquei e vi tudo. Através disso achei o projecto de CDZ, fiz o mesmo. E pronto, quando dei por mim já estava na comunidade. A partir daí entrei noutras comunidades como PTAnime, AnimeP2PT, AnimeLand, entre outras… já todas desapareceram. Fiz parte de projectos como Arrepios e Metalocalypse, onde traduzi, no extinto PDCLinks. Infelizmente perdi tudo ou quase tudo, é pena. Depois consegui lançar-me a solo. Lancei o Triunfo dos Porcos sozinho, usando a minha VHS velhinha e um DVDrip. É um dos meus filmes preferidos e o projecto ficou altamente, mas já não tenho nada comigo. Isto já em 2010, inícios de 2011.

Como é que de repente te lembraste de criar uma fansub?

Foi no decorrer de já ser fansubber. Como referi, colaborei com outras pessoas da comunidade no lançamento de alguns projectos, o que serviu para ganhar experiência, houve um processo de aprendizagem. Via animes legendados em PT-BR, pois na altura não percebia suficiente inglês, por exemplo Lum e Hokuto no Ken, e pensei “eu consigo fazer isto em PT-PT e com uma qualidade melhor!”. Comecei então a legendar Urusei Yatsura, no início com a ajuda de um colega de turma, que percebia de inglês, e ainda chegámos a usar o Google Tradutor. No decorrer de UY, estive sozinho durante 6 ou 7 meses e legendei cerca de 30 episódios, sem fazer mais nada. Fiquei enjoado e resolvi fazer uma pausa, legendando outro anime, Baoh Raihousha. Foi este o anime que ajudou a desencadear a sucessão de eventos que levaram à criação da fansub, pois o Baoh chamou a atenção de pessoas como o Libra e o Turunksun. O Tsu foi o primeiro a entrar em contacto comigo e a perguntar se estaria interessado numa parceria para lançar o Cyber City. Na altura aceitei por aceitar, não conhecia o anime. Aceitei porque queria ajudar, porque queria coisas legendadas, porque gosto de um desafio. Em poucas semanas lançámos o anime e correu bem, houve bom feedback. Pouco tempo depois, o Libra entrou em contacto comigo a perguntar se queria traduzir a meias o Shin Hokuto no Ken com ele, que não tinha qualquer tradução em português. Ele tinha acabado de ver HNK e eu também tinha visto há pouco tempo, eu usava o avatar do Toki na altura. Para ele foi óbvio: eu gostava de Hokuto no Ken e era tradutor, era a pessoa certa. Aceitei, mas ofereci-me para o fazer sozinho, não quis a meias. Mais tarde vim a descobrir que tinha sido o Tsu a recomendar-me. Depois adicionei-os no MSN e rapidamente surgiu a conversa de criar uma fansub. Gostei da maneira de ser deles, identificava-me apesar de ser mais novo. Entretanto fui acampar e quando voltei já estava tudo tratado e até havia dois membros novos, o Portnoi88 e o Tojaman. Quanto aos projectos, trouxe aqueles em que já estava a trabalhar a solo, Lum, os OVAs de Rumiko, Baoh, o resto foram eles. Foi aqui que nasceu a Projectos Old School. Desde então, nunca mais lancei a solo, embora já tenha pensado fazê-lo para cartoons que não têm espaço aqui, como Highlander ou Argai.

Com tantos anos de experiência, qual é o teu projecto favorito aqui na PoS?

É uma pergunta difícil de responder. Não sei se consigo dizer apenas um. Estou aqui desde o início e participei em cerca de 90% dos projectos. Se calhar era mais fácil dizer aqueles de que não gostei (risos). Os primeiros projectos que fizemos ficaram-me na memória simplesmente porque foram os primeiros, era tudo novo. Como disse, era uma fase de aprendizagem e aproximação. O facto de estar a ver algo que tinha sido legendado por mim… é difícil de expressar, mas dava-me um certo tipo de orgulho. Na altura, isso dava-me pica, por promover um anime de que gosto e partilhá-lo com outras pessoas, fazendo o trabalho que as editoras não queriam ou não podiam fazer. Sei que foram projectos que não ficaram muito bem feitos, mas era como conseguíamos fazer na altura. As coisas nunca corriam bem, era preciso dar sempre muitas “marteladas”, mas era divertido. Talvez os meus favoritos, e que ainda abro de vez em quando, são Ichi the Killer, Mermaid Scar... Ainda hoje gosto de ver a introdução, fico pasmado com a escolha de palavras. O Getter Robo também, pelo trabalho que deu, pelo tempo investido. Vi aquilo imensas vezes, procurei várias fontes de tradução e de vídeo, até usámos alguns termos da transmissão portuguesa. Tudo isso fez com que o projecto ficasse bestial. Outro projecto que posso referir, foi o Street Fighter II V. Este projecto acompanhou a fansub durante quatro anos e andou aos trambolhões, mas depois foi terminado graças a um bom trabalho de equipa. Na altura ainda estava na universidade, lembro-me de colocar a legenda para rever e no dia seguinte estar lá a revisão feita e a legenda do episódio seguinte para rever, nós nunca tínhamos trabalhado assim tão rápido. Isso gerou muitos lançamentos e bastante convívio. Trocávamos opiniões uns com os outros sobre os episódios e depois ainda aparecia a malta que sacava a comentar, isso foi tudo muito animador. Projectos que não gostei tanto… assim de repente lembro-me do Biohunter. Foi um projecto feito às três pancadas, com uma legenda que não era bem nossa, acho que na altura ninguém quis saber. Fez-se uma revisão e lançou-se. Pouco tempo depois viu-se que o projecto estava cheio de erros graves. Temos o projecto em partilha, mas é algo que não recomendo às pessoas, digo sempre para irem ver à fansub X ou Y que tem uma legenda melhor que a nossa. Há que ser honestos, uma coisa bem feita orgulha-nos, agora uma coisa mal feita nós não podemos recomendar sequer. Mas há mais projectos como o Biohunter.

Apesar de seres o encoder da PoS, a tua conversa dá a entender que gostas mais de traduzir. É verdade?

Entrei para a fansub como tradutor, convencido que o resto da equipa dava conta do resto das funções, mas estava errado, éramos os quatro muito inexperientes. O Tsu era o nosso encoder incial, dava uns toques. Ainda chegou a fazer o encode dos primeiros projectos como Urotsukidoji. Ficaram bons encodes, mas lembro-me de estar a falar mais o Libra sobre um novo anime que íamos lançar, o Devilman OVA. Foi um dos projectos que tive como tradutor, ainda em 2011. Quando chegou a parte do encode, o Libra tinha arranjado o DVD japonês, era um DVD limpo como água… e o Tsu estragou-o. Na altura pensei : f**der um R2J, é preciso ser artista! Nós continuámos a pedir mais encodes e veio o segundo ou terceiro encode e continuava mal. Cheguei-me à frente, comecei a estudar encoding, fiz alguns testes e saiu o encode de Devilman. Eles gostaram, e assim, em 2012, passei a ser encoder, para além de tradutor e revisor. Nesse ano tinha bastante tempo livre, deu para aprender encode. A verdade é que dou uns toques em praticamente tudo, typesetting também, mas não sou bom nisso, nem mesmo a encodar, sou o primeiro a admitir. Tenho noção que dá para o desenrasque. Acho que qualquer pessoa pode fazer o que eu faço, uso o avisynth e o megui desde o início, mas há muito mais ferramentas, basta ter pensamento positivo e partir à descoberta. Mas sim, a ideia inicial era ser apenas tradutor. É o que mais gosto de fazer, mas admito que ganhei um certo gosto pelo encoding, porque encodar um DVD é sempre um desafio.


Estando aqui desde o início, de certeza que tens imensas histórias divertidas para contar!

Tenho imensas, o problema é escolher a melhor. Por exemplo, há uns anos lançou-se o Darkstalkers, e nessa altura recebemos uma mensagem no nosso Facebook a dar-nos força para continuar. De repente, essa pessoa mandou mensagem a perguntar se queríamos uma casa para passar férias. Fartei-me de rir, porque a pessoa estava a promover uma casa de férias a uma fansub, foi algo aleatório que me apanhou completamente desprevenido. Assim coisas mais engraçadas… no início da fansub havia muitas, mas era tudo à base de nós sermos um bocado conflituosos, por isso é melhor ficarem de fora. Lembro-me por exemplo, penso que tenha sido o Mermaid Scar, passou pelas etapas todas, inclusive na de qualidade. Só que eu enquanto upava para lançar notei que havia coisas na tradução que não me soavam bem. Fui ao YouTube ver e encontrei um vídeo cujas legendas faziam mais sentido. Já não disse nada aos outros. Comecei a trocar tudo e lancei no site. E hoje, a versão que está disponível é essa. Foi uma coisa feita em cima do joelho, que ninguém soube na altura. Podia ter corrido mal. (risos)

Vamos então à pergunta-chave: achas que vamos estar aqui à conversa daqui a 10 anos?

Acho que não. Todos os anos, dizemos que é o último, que a fansub não dura mais e acabou. E a verdade é que duramos sempre mais um. Falámos sobre terminar no 10º ano, agora já se fala no 11º que muito provavelmente vai acontecer. Também nunca pensei que chegássemos aos dez anos. Quando começámos havia muitos problemas, alguma instabilidade... o pessoal não cumpria os prazos, ninguém fazia o que prometia e projectos lançados de qualquer maneira. Mas aqui estamos hoje e quase com a equipa original. Antes éramos quatro e agora somos cerca de 10 e isso é muito reconfortante. Faz-me pensar que o nosso trabalho é bem feito o suficiente, que já não somos uma fansub de vão de escada e descuidada. Depois, ver que há malta interessada nos nossos projectos é gratificante, esse interesse ajuda-nos a continuar. E na verdade temos muita coisa para lançar ainda, quando dizemos que estamos a trabalhar internamente é verdade, podem acreditar. Mas naturalmente um dia há de acabar. A maior parte de nós já não é adolescente ou estudante, há responsabilidades e o tempo é cada vez mais curto. Pessoalmente duvido que dure mais 10 anos, mas a equipa actual é interessada e activa, por isso há sempre essa possibilidade. Mesmo que eu já não esteja cá um dia, pode haver pessoas suficientemente interessadas para levar a fansub para a frente e continuar com os lançamentos. Se isso acontecesse, eu ficaria muito contente por ver que o legado da fansub foi passado e está a ser bem usado. Lá está, são muitos anos e a malta também se aborrece. Eu estou aqui desde o início e às vezes aborreço-me, por isso presumo que os outros membros também possam sentir isso. A verdade é que de há uns anos para cá, já não há vontade como havia antes. De vez em quando naquelas manhãs de chuva ou em noites de insónia, meto-me aqui a legendar ou a olhar para um DVD. Mas um dia tudo acaba. E para ser honesto já mal vejo anime, vejo 1 ou 2 por ano (quando vejo) e um filme aqui e ali.

Alguma coisa que tenha ficado por dizer?

Ui, tanta coisa. Desde o princípio, a PoS nunca esteve no mesmo campeonato das outras fansubs portuguesas. O que pretendíamos desde o início era lançar animes, filmes, OVAs em que mais ninguém tivesse interesse. Algo diferente dos outros, diferente de fazer animes da temporada, algo que todas as outras fansubs faziam. Nunca tivemos um papel importante na comunidade nacional, também não o procurámos. Fazemos as coisas que queremos, que gostamos. Um bocado a reboque desta filosofia conquistámos reconhecimento nacional e internacional, construímos um bom portfólio de projectos, temos uma equipa com mais de 10 membros, com vários projectos no ativo e em simultâneo. Durante 10 anos, houve sempre lançamentos, mesmo com períodos de mais inactividade. Temos mais de 100 projectos lançados, mais de 350 episódios. Temos centenas de seguidores no FB e muita malta no Discord, um site/fórum com centenas de comentários. O resto é conversa. Acho que a fansub fez um pouco de tudo e podemos orgulhar-nos disso. Há erros, claro, não somos perfeitos, mas não vejo as pessoas a dizer “isto é uma merda”, "está intragável". E depois temos algumas conquistas, por exemplo nunca me passou pela cabeça que isto fosse possível, mas a verdade é que, chegámos a traduzir do japonês. E vamos voltar a fazê-lo de novo. Já traduzimos do italiano, do francês… eu traduzo muito do francês, porque há casos onde a legenda francesa é melhor que a inglesa e eu percebo quase tanto de francês como de inglês. A nível de vídeo, não é raro um lançamento nosso ter a melhor qualidade na internet, há poucos dias lançámos o Black Magic M-66, com um rip de LD feito especialmente para o nosso lançamento, que tem a melhor qualidade da net. O Genocyber durante vários meses fomos os únicos a ter naquela qualidade. Cerca de 10 projectos com áudio PT-PT em primeira mão... O nosso lançamento de Shoujo Tsubaki fez muito furor. Há uns tempos, pesquisando na internet, encontravam-se pessoas de outras nacionalidades a partilhar o nosso vídeo, até mesmo japoneses. O que quero dizer é, lançámos projectos pioneiros, únicos. Quantas fansubs se podem orgulhar de tudo isto o que referi? Nós podíamos ser mais uma fansub da moda, mas não somos: não teria a mesma graça, não era tão desafiante e não teríamos conquistado tantas coisas. Não quero com isto dizer que somos melhores ou piores que esses grupos que lançam os animes da temporada, eles são necessários e coexistimos, como tudo no mundo. É por sermos diferentes, não melhores ou piores, que conseguimos alcançar tudo isto. Nós somos uma alternativa a esses grupos, somos um digestivo para desenjoar desses animes que uma pessoa está sempre a ver. “Ok, apetece-me ver uma coisa antiga, diferente”, nós estamos cá para isso. E é assim que vejo as coisas.
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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #8 em: Agosto 27, 2021, 18:40:06 pm »
Entrevista Red Tiger


Começando pelo básico, fala-me um pouco sobre ti.

Chamo-me Ivo, tenho 36 anos, sou bastante nostálgico, mas infelizmente/felizmente não tenho jeitinho nenhum para me descrever enquanto pessoa. Gosto de anime, de manga, ou melhor dizendo, gosto de banda desenhada no geral, seja ela japonesa, americana, italiana, franco-belga ou chinesa.

Pergunta de algibeira: séries anime preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

As séries que me marcaram foram/são algumas, tais como Wanwan Sanjushi, Tom Sawyer no Boken (ainda hoje me lembro perfeitamente de ver o último episódio no 'Agora Escolha'), Jungle Book Shonen Mowgli (acho que foi o 1º anime a ser transmitido na SIC, passava à hora do almoço aos domingos, e se bem me lembro foi nessa altura que comecei a desenhar "coisas" relacionadas com desenhos animados), Captain Tsubasa (provavelmente o 1º anime que vi legendado e ainda pra mais em japonês, se bem que parte da série passou também em italiano), Rurouni Kenshin (uma das minhas séries favoritas), Urusei Yatsura, KochiKame, Ginga Nagareboshi Gin, Kinnikuman e last but not least Dragon Ball. O que é que posso dizer sobre Dragon Ball, tudo começou numa tarde de 5ª ou 6ª feira em Março de 1996, estava a ver o Buéréré na SIC e nesse mesmo dia, nessa mesma tarde passou o 1º episódio do Dragon Ball, isto é o que se chama estar no local certo à hora certa. Dragon Ball e Dragon Ball Z são sem dúvida duas das minhas séries favoritas de sempre e as que me marcaram mais, foi a primeira vez que tinha visto algo do género, com personagens carismáticos e com uma banda sonora 5 estrelas. É certo que havia muito mais coisas para dizer sobre estas duas séries, mas é melhor não escrever mais nada, porque senão fazia um grande testamento.
 
Como e em que altura entraste no mundo do anime/manga?

Talvez em finais de 80 ou no início dos anos 90, foi nessa altura que vi o meu 1º anime, mas para ser sincero não me lembro qual foi e claro, não sabia o que era anime, e não tinha noção se era japonês. Uns anos mais tarde é que comecei a ter algumas noções das séries que via que eram japonesas. Com a chegada do Dragon Ball a Portugal, nomeadamente algumas revistas sobre a franquia, e no início da década de 2000, revistas como a Super Jogos e as revistas espanholas Shirase, Minami, Dokan, etc... foram um meio de aprendizagem deste vasto mundo do anime/manga. No caso da revista Super Jogos, esta continha uma secção de Anime/Manga, mas apesar de conter alguns erros, ela foi bastante importante em muitos aspectos, como por exemplo ter-me despertado o interesse para o mundo do manga. Os primeiros mangas que comprei foram em 2000/2001 (Dragon Ball e Rurouni Kenshin em francês) na FNAC que dispunha de um leque considerável em francês, para além dos que mencionei, tinha também Hokuto no Ken, Dr. Slump, Saint Seiya, Bt'X, etc... e claro, não me posso esquecer da SIC Radical, quee foi um meio muito importante de divulgação do anime em Portugal.



Já eras fansubber com alguns projectos feitos antes de colaborares connosco. O que te levou a iniciar essa actividade?

Tinha colaborado com o Revenge em alguns episódios de Urusei Yatsura no GTA (pré PoS), fora isso, fiz algumas coisas (tradução, sincronização de aúdio, etc...) para um possível "projecto" do KochiKame, mas ficou em banho-maria e nem sequer cheguei a partilhar nada.

Porquê a Projectos Old School?

Boa questão. Porque no geral, identifico-me mais com anime "old school", é um hobby que me permite rever ou conhecer novos animes que nunca tinhas visto, e como alguém disse um dia: "There's no school like the old school".

Qual o teu projecto preferido dos que trabalhaste no grupo? E qual das funções mais gostas de fazer?

Eu diria que foi Vampire Hunter em 2015, foi o primeiro e gostei bastante, não só de fazer a verificação, mas também de rever a série. Para ser o mais directo possível, gosto daquilo que faço actualmente, ou seja, verificações.

Tens alguma história divertida para contar que envolva a fansub?

Que eu me lembre, não tenho nenhuma.

Última pergunta. Agora que a fansub fez 10 anos, achas que estaremos aqui de novo para comemorar mais 10?

Por acaso nunca pensei nisso, mas tudo vai depender da disponibilidade dos membros actuais da PoS para continuar ou não. Será que daqui a 10 anos o fansubbing ainda fará sentido? Talvez sim ou talvez não, mas não quero estar a fazer futurologia.
« Última modificação: Agosto 27, 2021, 19:37:57 pm por Revenge »
 

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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #9 em: Agosto 30, 2021, 00:09:48 am »
Entrevista Orie


Para começarmos, fala-nos um bocado sobre ti.

Chamo-me Ricardo, tenho 34 anos. Sempre tive uma grande paixão pela Ásia, especialmente pelo Japão. Sempre pensei estar sozinho neste mundo até encontrar outras pessoas que gostavam do mesmo.

Séries de anime preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

A série anime que mais me marcou foi Saber Marionette J… e Blue Seed, ambas no Locomotion. Nós estávamos limitados no anime em Portugal, especialmente na altura. O Blue Seed é do género terror, nunca tivemos acesso a esse tipo de anime cá. Saber Marionette foi pelo cyberpunk, pelos ciborgues que tentam descobrir a sua humanidade, pela música, pela história. Sempre tive uma certa queda pelo cyberpunk e marcou-me imenso em todos os sentidos. Ainda hoje me custa ouvir o ending de SMJ porque me emociona muito. Foi um anime que apareceu numa altura complicada da minha vida, que me ensinou imenso sobre as emoções humanas. Esta é a razão que distingue o seu marco na minha vida.

Então e quando e como entraste no mundo anime/manga?

Eu tive alguma sorte, não sei como, mas tive acesso a um canal de satélite japonês, onde vi Bubblegum Crisis quando tinha apenas 6 anos de idade. Eu via muito esse canal e foi dessa maneira que aprendi japonês, nós quando somos crianças temos mais facilidade para aprender línguas e foi isso que aconteceu comigo, através de associações. A minha introdução foi esta. Eventualmente comecei a ver anime na RTP, Captain Tsubasa foi um dos primeiros que vi e que me permitiu continuar este fascínio. Eu vi muito mais anime na RTP, mas era difícil fazê-lo porque comecei a ter dificuldades em ter acesso à TV. Depois de conhecer o meu primeiro amor (Bubblegum Crisis), houve uma procura incessante de mais conhecimento sobre anime e o Japão no geral. Cresci com muita música japonesa e mesmo na escola era gozado por isso. Comecei a fazer imensas pesquisas por internet assim que tive acesso a computadores na escola, com disquetes à socapa para guardar imagens ou documentos de texto para ler mais tarde e guardar em arquivos digitais. Eu era um ganda maluco (risos). Em termos de manga, foi muito mais tarde. Nunca soube que estiveram à venda mangas em Portugal nos anos 90, como foi com o caso de Ranma e Striker, mas tinha as revistas espanholas no fim dos anos 90 que falavam de manga. Tinha um amigo que tinha mangas espanhóis de Dr. Slump e outros variados, mas não a colecção completa. Eventualmente tirei fotocopias de alguns dos seus mangas, como Compiler de Kia Asamiya e fui conhecendo mais a partir daí. O meu primeiro manga original foi de “Oh My Goddess! Love Potion nº9” que apenas adquiri em finais de 2001. Eu já conhecia o anime de o ver no Locomotion, mas li esse manga tanta vez... Pouco a pouco e a partir daí, fui descobrindo mais coisas. Na TV, a SIC promoveu muito o anime na segunda metade da década de 90, o meu problema era a falta de respeito que eles tinham para com os espectadores, eles mudavam o horário de tudo sem critério… Dragon Ball, Sailor Moon… Depois a RTP começou a passar o Tenchi Muyo com uma excelente dobragem, a partir daí acho que vi um bocado de tudo. Já tinha também TV Cabo e acesso ao Canal Panda desde 1997, que era um canal muito interessante e as séries que passavam eram todas de grande qualidade. No mercado vídeo, existiram as VHS Manga, que foram lançadas nos anos 90, mas eu só as descobri em 2000 ou 2001. Nunca as descobri antes ou por azar ou por falta de anúncios. Agora com o YouTube descobrem-se anúncios que supostamente davam na altura, mas que não tenho memória de ver… por exemplo o anúncio que deu na TV a dizer que ia sair Ghost in the Shell e Urotsukidoji. Mas pronto, pouco tempo depois, um ou dois anos depois, conheci a Dynamic PT. Foi através deles que obtive muito material, VHS, DVDs, merchandising… mantive contacto com eles durante muitos anos, eram gente muito porreira. E o que eles fizeram pelo anime em Portugal é de louvar, anime que deu na Radical trazido por eles com uma qualidade de topo e que eu nunca esperei ver a passar em Portugal. Alguns animes como Brain Powerd, Escaflowne ou mesmo Generator Gawl, para nomear alguns, eu já tinha muita banda sonora, que sacava da net dali e daqui. Mas posso partilhar que não me esqueço do tema de abertura de Generator Gawl, que já tinha num dos CDs das revistas espanholas e que até tinha gravado em cd áudio. Quando liguei a TV para ver o que ia dar de novo anime à sexta-feira... dei um grito de estranha felicidade. A Dynamic PT trouxe para a SIC Radical coisas que só podia ver em sonhos ou namorar na internet.


Porquê a Projectos Old School?

Conheci o Revenge que me fez a oferta, ele “descobriu-me” por assim dizer. (risos) Não quero ofender ninguém, mas para quem se diz otaku em Portugal, a única coisa que lhes interessa é animes comerciais. Toda a gente conhece Dragon Ball, toda a gente gosta de Naruto. Se eu perguntar se conhecem Leiji Matsumoto, Go Nagai ou Osamu Tezuka, ninguém conhece. Isto para dizer que há muita falta de cultura. A PoS ajuda a seguir esta linha de pensamento, a da cultura. Depois houve coisas aqui na PoS que me surpreenderam, não usam o acordo ortográfico, eu vi logo, esta malta é porreira! (Risos) E depois vi os animes que já tinham lançado e também me surpreendeu os animes que pessoal antes de eu cá estar quis meter lá para fora, dar a conhecer. Tudo isto me seduziu bastante e resolvi ajudar. Por falta de tempo não consigo ajudar tanto quanto queria, mas estou cá para ajudar no que for preciso.

Estás connosco desde 2014. Qual foi o projecto que mais curtiste fazer?

Call me Tonight foi o primeiro. Depois o Hell Target… custou para caramba. Há também o Vampire Hunter onde ajudei nas correcções. Mas houve mais. O que eu gostei mais foi mesmo o Hell Target, porque nunca tinha existido uma tradução como deve ser deste anime, havia versões em russo e em inglês traduzido de russo, mas aquilo era uma mixórdia, não se entendia nada. Eu comecei completamente do zero, sem me basear em legendas que não faziam sentido. Outra coisa que não ajudou foi o vídeo ser de muito má qualidade e dificultar a percepção de kanjis. O Revenge na altura arranjou 2 ou 3 fontes de vídeo e nenhuma era grande coisa, relembrando que Hell Target apenas saiu em VHS e nunca saiu fora do Japão. Foi com muito afinco que trabalhei nisso para lançar esse projecto com a melhor das qualidades a nível de tradução.

Já que falas no Hell Target, tens noção que fizeste com que nós fôssemos uma das poucas fansubs portuguesas a traduzir directamente do japonês?

Sim, e tenho um certo orgulho nisso. Como eu disse, aprendi japonês sozinho e usei os meus conhecimentos de japonês para traduzir. Já dei aulas de japonês, mas é diferente. A verdade é que uma tradução do japonês dá muito trabalho, não há nenhum guia, neste caso não havia uma legenda estrangeira onde nos basearmos e o japonês é muito traiçoeiro nos significados, é preciso ter muita atenção. E depois quando Hell Target foi para revisão na altura o pessoal não sabia bem como proceder, porque nunca tinha existido um projecto destes na fansub. Mas acho que ficámos bem na fotografia no final do dia, foi um orgulho para todos.

Qual a tua tarefa favorita na fansub?

Não vou dizer que são as correcções… porque estou a ter trabalho, é certo, mas não é tanto trabalho como legendar e traduzir. Gosto de partir do zero, com uma revisão começa-se a meio do processo por assim dizer. Há outras tarefas que já fiz, por exemplo em certos projectos há dúvidas de japonês e eu dou uma ajuda, por vezes é traduzir kanjis, outras ouvir no áudio o que dizem. Lembro-me dos filmes de Ranma onde traduzi os ataques todos do japonês. Outra coisa que gostei, foi ajudar a trazer um bocado da história do anime em Portugal, logo quando cheguei começámos a escrever artigos com a informação que tínhamos da altura, o que foi editado cá, o que era para ser e nunca chegou a ser. Esses artigos hoje em dia são populares lá fora e isso também me dá pica.

Tens alguma história divertida para contar que envolva a fansub?

De certeza que há, mas não me recordo de nada agora (risos).

Agora que a fansub fez 10 anos, achas que estaremos aqui de novo para comemorar mais 10?

Claro que sim. Uma coisa é certa, material para dar a conhecer ao pessoal não falta. Por isso acredito que vá continuar, ainda há muito para mostrar. Fico contente por a fansub estar a ser reconhecida pelo nosso trabalho, a malta nova que aqui está é malta porreira, malta humilde, é um bom sinal para medirmos a longevidade da fansub. E por isso daqui a uns anos estarei cá de novo para conversar e para trazer alguns projectos pelo meio, claro.
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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #10 em: Agosto 31, 2021, 01:21:53 am »
Entrevista Apelix


Fala-nos sobre ti.

Sou o João, mais conhecido na net como Apelix. Ando nisto do anime desde que era miúdo, mesmo não sabendo o que era na época, mas só fiquei mais dentro do assunto por volta de 2006. Tenho a sorte de ter nascido e crescido nos anos 90, sou de 1991, portanto vivi toda aquela onda do Dragon Ball e de outros animes que passaram naquela altura. Claro que agora vou parecer um Velho do Restelo, mas comparado com o que os miúdos vêem hoje em dia, há uma clara diferença. Tivemos muita sorte. Sou formado em Gestão de Lazer e Animação Turística, sou de Lisboa, mas vivo no Porto há 8 anos. Vou fazer 30 anos daqui a uns meses, mas continuo a ver anime, acompanho as temporadas, arranjo sempre um tempo…foi uma coisa que me foi ficando. A nível de projectos, nunca fui tanto de fazer parte de projectos como tantos ilustres membros, mas participei em alguns, mais pelas pessoas, como é o caso da PoS… sempre que posso ajudo com muito gosto, a malta é porreira, pega em animes que eu acho que são interessantes, são antigos, e não conheço mais nenhuma fansub assim em Portugal. Gosto muito de anime, como gosto de séries, filmes e de futebol, tento encaixar sempre tempo para tudo.

Vamos à pergunta de algibeira… anime favorito, qual o que mais te marcou e porquê?

Vou ser extremamente banal, mas Dragon Ball é o meu anime favorito, foi o que mais me marcou. Não é o melhor anime que já vi, isso para mim é Attack on Titan, mas Dragon Ball é mais marcante, e porquê? Porque foi aquele que me introduziu aos desenhos animados japoneses como hoje os conhecemos e que me influenciou a continuar a ver anime até aos dias de hoje, portanto foi realmente impactante. Na minha lista do MAL, mais de metade são animes antigos. Vem-me logo à cabeça Dragon Ball, Rurouni Kenshin, Saint Seiya… One Piece não vou chamar antigo porque é de 99, já é um bocadinho mais recente. Mas de facto, ainda sobre o Dragon Ball, olhando para trás, consigo ver que me moldou na minha forma de ser. Por exemplo, toda a questão de superação constante do Goku, de ser competitivo com ele próprio… eu sou muito assim, tenho muito espírito de sacrifício seja no que for. Sou competitivo, mas não é com os outros, é comigo mesmo, ainda que muitas vezes nos comparemos aos outros para haver uma comparação positiva e para saber se estamos a melhorar ou não. É um bocado como vemos os protagonistas de shounen, e Dragon Ball influenciou-me muito nisso. A Disney por exemplo tem muito aquela coisa de passar mensagens como o amor, a amizade e ajudar o próximo, essas lições de moral muito positivas; o anime, talvez pela diferença cultural, expõe outros valores, e Dragon Ball acaba por ser um favorito porque sinto que me passou muitos valores que eu tenho hoje em dia. Não andava à porrada com ninguém, até porque sou franzino (risos), mas os valores ficaram realmente. E se eu hoje posso dizer que sou bem-sucedido na vida, é porque DB contribuiu para isso. Quando se vê algumas coisas em miúdo, seja ficção ou não, isso molda-nos, e DB fez isso comigo, por isso foi este anime que me marcou por todos os motivos e mais alguns. Fazendo um top 5, seria: Dragon Ball em primeiro, Attack on Titan em segundo, Death Note em terceiro, Rurouni Kenshin em quarto e Saint Seiya em quinto. Por acaso sou um gajo muito organizado na vida e tenho essas coisas muito bem formadas na minha cabeça: os jogadores de futebol, as séries, os filmes, tenho isso muito bem pensado.

Como entraste para o mundo do anime?

Tive internet por volta de 2000, 2001. Lembro-me de se calhar com uns 14 anos ainda ver Dragon Ball na SIC Radical, mesmo sabendo os acontecimentos de trás para a frente. E acho que foi nessa altura que fui ao BTuga, que agora é o BTNext, e procurei pela série. Não havia muita opção em Portugal, a internet era da Sapo, com tráfego internacional limitado a 2GB. Era então bastante ativo no fórum, e saquei a versão do VTCosta. E pronto, uma coisa leva a outra: a malta começa a falar de mais animes, a falar de outros mais antigos, e é aí que se percebe a diferença, depois entra-se mais no conceito, vai-se aprendendo. Comecei a procurar comunidades mais focadas em anime, como por exemplo o GTA, sou extremamente ativo lá. Foi aí que comecei a encontrar muito conteúdo e a falar com pessoal da nossa geração. Via tudo o que eles lá metiam, mesmo animes da treta (risos), com os meus 15, 16 anos. Aproveitava o facto de as legendas serem em português e depois já conhecia a malta das fansubs, então via também para dar a minha opinião e acabava por acompanhar (muitas destas fansubs já estão extintas, tipo a GarSubs ou a FAN). Por aí comecei a integrar-me na comunidade e a conhecer cada pormenor do mundo do anime. Acho até que me integrei de forma bastante natural, por ter interesse na área, e por ter falado com tantas pessoas gradualmente. Agora que olho para trás, vejo que continuo a ser uma pessoa organizada e a escolher os animes que vou ver, mas quando penso nos animes maus que via, até entendo, porque era o meu começo nisto, estava a conhecer os meus gostos. Mesmo alguns animes que eu guardo com carinho, tipo Shaman King, Digimon, que na altura gostava e que agora sei que não é para mim.


Referiste algumas fansubs antigas. Sempre estiveste ligado ao mundo do fansubbing, mas nunca colaboraste com nenhuma fansub, tirando algumas colaborações mais recentes.

Não. Tive convites para várias, é verdade, mas como me focava mais em jogos e em convívio no GTA – é uma coisa pela qual tenho muita paixão – não tinha tempo. Lá está, o tempo não estica, então queria dedicar-me a fazer uma coisa bem e optei por não fazer parte de nenhuma fansub. E as fansubs tiram muito tempo, antes quando estudava e não trabalhava realmente havia tempo para dedicar, agora é diferente, um gajo trabalha e vai fazendo as coisas com calma. Não há aquela pressão dos seguidores a perguntar “quando é que lanças isto, quando é que lanças aquilo?”, porque já há uma certa maturidade. Mas naquela altura havia alguma pressão da comunidade, as fansubs nasciam e morriam rapidamente, deixando projectos a meio. Então, por haver essa procura havia a necessidade de colaborações, mas nunca fiz nada a 100% com uma fansub.

Porquê a Projectos Old School, de todos os convites que recebeste? Aceitaste por alguma razão especial?

Não vou estar aqui a fazer um elogio mentiroso, porque vocês são muita bacanos, como muito pessoal de outras fansubs. Ainda que eu tenha de fazer uma ressalva, a fansub tem um espírito muito bacano, é super boa onda, há respeito uns pelos outros. Noutras comunidades, geralmente quando são muito grandes, há sempre um ou mais elementos que costumam gerar um ambiente menos bom. Na PoS não há nada disso, o pessoal é fixe, seja no fórum ou no Discord. E é como eu dizia, não há aquela pressão. Não vou dizer que é a única, noutras fansubs também se encontra isso. Acho que foi um conjunto de vários factores, incluindo os que mencionei acima, e também a escolha de animes, que acho muito interessante. É assim, nesta última década tivemos animes brutais, não são só os antigos que são muito bons. Mas a PoS é a única fansub que realmente se dedica a animes antigos, e eu acho isso muito fixe, é um trabalho que deve ser preservado e é de louvar. É bastante semelhante àquilo que o GTA faz com os projectos antigos, em VHS e tudo mais…  É brutal, porque os miúdos de agora não querem saber destes animes – e tudo bem, eu respeito e acho que é normal – mas para os animes que marcaram toda uma geração, e há um grupo gigante de pessoas que quer acompanhar anime no nosso idioma, é fundamental haver a PoS. Também foi uma questão de timing, eu fui convidado numa altura em que estava mais disponível. Foi como eu disse, é um conjunto de factores.

Dos projectos em que colaboraste, de qual é que gostaste mais?

Gostei mais de participar nos projectos de Saint Seiya. O de Highlander não gostei tanto, porque tinha visto o filme há relativamente pouco tempo, e como tinha dado um trabalho nas legendas, fiz e passado pouco tempo já as estava a ver outra vez, é mais por aí, não deu tanto gozo. Com Saint Seiya foi precisamente o contrário. Como já tinha visto tudo há uns anos, já não me lembrava de alguns pormenores, fui relembrando os acontecimentos e isso é porreiro. Por outro lado, também gosto mais de Saint Seiya do que de Highlander, então há esse ponto também. Os projectos, acho que ficaram muito fixes. Quando entrei para os filmes de Saint Seiya, fiz uma revisão cuidada, usando o meu conhecimento de fã, era isso que era pretendido para aquele tipo de trabalho. O Highlander deu muito trabalho no geral, principalmente pela sincronização de áudio. Ficou tudo muito bom, tiro-vos o chapéu. Acho que quando lançamos, e não temos nenhum ritmo de lançamentos fixo, é para lançar bem, e a PoS tem essa particularidade que eu respeito e gosto. Tem qualidade e lança projectos com a identidade da fansub. E depois o núcleo da fansub é o mesmo há anos e isso é fixe, porque se sabe com o que contar e como trabalhar, e também dá um sentimento de segurança a quem segue a fansub e sabe que vai ver algo com qualidade, mesmo que o anime não seja o melhor.

Há mais algum projecto que gostasses de trazer?

Por acaso tenho e é algo de que já tenho falado, os filmes de Captain Tsubasa. Os filmes foram todos dobrados, eu tenho o material todo. Era um projecto que gostava de lançar, uma boa qualidade de vídeo, com duplo áudio e legendas em português.

Acompanhaste o nascimento da PoS em 2011. Na altura, achavas que íamos durar 10 anos?

Vou responder a isto com uma comparação: é como quando perguntam ao CR7 se ele achava que ia ser o melhor do mundo. Acho que uma pessoa nunca pensa nisso. É como outras fansubs, nem eles nem os seguidores pensam nisso. Lembro-me perfeitamente de quando a PoS foi criada e eu até fui dos primeiros 60 ou 70 utilizadores a registar-me, achei logo que a coisa tinha pernas para andar. Era um nicho, e apesar de haver muita malta da nossa idade a gostar de animes antigos, os projectos que estavam para ser lançados podiam não ser tanto do agrado do público mainstream porque são mais underground, mais desconhecidos, não tanto para aquele pessoal que curte bué anime dos anos 80 e 90, mas pensa sempre no mais comercial. Por exemplo, este ano lançaram o Black Magic M-66, e eu que sou uma pessoa que vê bastante anime, não faz ideia do que é. Epá, também já lançaram outros mais conhecidos tipo o Vampire Hunter D ou o Baoh Raihousha, e isso eu vi tudo por vocês, por isso não é tudo underground. Mas às vezes lançam coisas tão antigas que o pessoal, mesmo que tenha agora 30 anos, não era nascido quando essas coisas foram lançadas, e desiste. Por isso achei logo, assim que vi a PoS, que ia gostar do vosso trabalho pela vossa identidade. E o facto é que mais nenhuma outra fansub lança coisas antigas. Não pensei que fosse durar 10 anos, mas também não pensei que fosse durar só um ou dois. O meu pensamento foi, “Fixe, vou acompanhar, tem aqui cenas porreiras. Se calhar não vai ser uma cena massificada como o GTA ou o PTAnime, mas tem pernas para andar”. A verdade é que houve 10 anos de atividade, e para isso não é preciso lançar todas as semanas. E isso também mostra que o anime continua vivo em Portugal, e o fansubbing nacional, mesmo já tendo tido momentos mais ativos, não morreu. Por isso, se o fansubbing nacional não morreu, a PoS também está longe disso, porque faz cenas que mais ninguém faz e que mais ninguém “quer saber”, do ponto de vista de trabalho. Tenho a certeza que vamos cá estar em 2031 para os 20 anos, já todos com filhos com certeza, mas cá estaremos (risos). Se me perguntarem agora se eu acho que a fansub dura mais 10, a minha resposta vai ser diferente do que seria no início da PoS, mas estou confiante que sim, que dura.


O que é que achas do fansubbing nacional atual comparado ao de antigamente? Achas que ainda vale a pena criar uma fansub?

Acho que hoje em dia ainda é viável criar uma fansub, e vai continuar a sê-lo, porque para quem vê anime em português, mesmo legendado, o produto oficial não costuma ser o melhor. Claro, também há fansubs que não fazem um bom trabalho (não é o caso da PoS e de outras), mas se olharmos para boas fansubs, não há dúvida nenhuma que fazem um trabalho melhor do que gajos que são contratados a recibos verdes e são mal pagos para o fazer. Tudo começou com o boom do streaming, especialmente da Netflix. É um bocado tudo. Para já, a geração dos millennials estava muito habituada a ver anime em casa na TV, quando tem internet descobre que pode sacar anime, mas legendado em PT-BR. Quando apareceram as fansubs portuguesas, a malta migrou toda para lá e começou a ver em PT-PT, daí veio o boom e a paixão, depois um gajo tinha tempo livre e criava uma fansub e era fixe. Com o desenvolvimento da tecnologia e com a geração Z que está habituada ao streaming (mesmo em sites como o GoGoAnime) em que vêem o anime com qualidade duvidosa e não têm de sacar nada. Então, acho que houve um decréscimo natural. Lá está, há gente que acha estranho eu sacar animes, mas nesse aspecto sou mesmo old school. Se o pessoal da fansub tem trabalho, acho que no mínimo devo guardar os projectos, que às vezes até se tornam em verdadeiras relíquias da internet. Mas não querendo fugir ao tema, acho que é importantíssimo continuar a haver fansubs. A nível de qualidade, não posso comparar muito porque são tão recentes que ainda não experimentei, e alguns feedbacks que recebi não foram os melhores, então não acompanho muito. Agora em termos de qualidade, nas fansubs antigas isso mantém-se, por isso é difícil comparar. A nível de quantidade sim, há muito menos hoje em dia. Também há boas traduções oficiais, mas há muitas más. E quando comparo essas às das fansubs, geralmente as “amadoras” ganham. Por isso, para mim é muito importante que as fansubs existam. Hoje em dia há muitas fansubs que só fazem rips, por exemplo das plataformas de streaming, mas não tem nada a ver com alguém que dedica muito do seu tempo para aquilo. Nota-se a diferença… por exemplo naqueles projectos tipo Captain Tsubasa, em que há malta habituada aos nomes dos ataques em português, e depois há malta habituada à versão original porque já começou a ver mais tarde, e as traduções oficiais nunca usam os nomes à tuga. Por outro lado, há muitas fansubs que se dão ao trabalho de criar duas legendas com duas versões diferentes, que agradem a todos. Não se vê esse amor ou dedicação nas traduções oficiais. Para mim, as fansubs são super importantes por isso, e não tenhas dúvidas de que fãs de anime como eu (que não sei se são a maioria, mas quero acreditar que sim), que valorizam a qualidade, preferem ver um anime através de uma fansub, que tem sempre uma melhor fonte de vídeo, tem um cuidado no encode que um mero rip não tem (e isto para mim parece mais um facto), muitas vezes tem dual ou multi áudio, tem o cuidado de fazer legendas para fanáticos, tem o controlo de qualidade… epá, é um cuidado que tu não vês num trabalho pago. E não é só, uma fansub incrementa um espírito de camaradagem e de trabalho que é importante para a nossa vida. Por muitos motivos e mais, o fansubbing é muito importante.

Para finalizar, há alguma coisa que queiras acrescentar?

Em primeiro lugar, quero agradecer por se terem lembrado de mim. 10 anos é um marco histórico e fico muito contente por poder fazer parte de uma entrevista. Eu fazia isso no GTA todos os anos, e agora estou do outro lado e sei que isso é bom. Quero elogiar novamente o pessoal da fansub, que é muito boa onda e é isso que dá vontade de conhecer a malta pessoalmente um dia. Por isso, ainda me sinto mais contente por poder fazer parte deste momento da PoS, porque é uma fansub boa com gente boa.
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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #11 em: Setembro 15, 2021, 00:18:14 am »
Entrevista frankofdl


Fala-nos um pouco sobre ti.

Isso é complicado. Eu não sei definir-me a mim próprio. Dizem que a melhor maneira é olhando ao espelho, mas o espelho não diz tudo sobre mim. Mas pronto, no contexto da fansub, sou uma pessoa interessada em coisas históricas e raras, e foi isso que me fez chegar à Projectos Old School sem querer.

Pergunta geral: quais são as tuas séries anime favoritas, o que é que te marcou mais?

O meu primeiro anime, e que na altura não sabia que era anime e gostei muito, foi o Doraemon. Eu tive TV por cabo quase logo desde que o serviço iniciou em Portugal, em 1996, e através disso, veio o acesso ao Canal Panda, foi lá que vi o Doraemon em espanhol. Seguiram-se outros desenhos animados que vi nesse canal, ficando-me na memória o Ninja Hattori, também do mestre Fujiko, e Fortune Quest que deu uns anos mais tarde. O mestre Fujiko sempre foi uma pessoa que me fascinou, o Doraemon influenciou-me bastante na altura de escolher o que queria fazer da vida e mudou a minha perspectiva sobre tecnologia. Pode dizer-se até que o anime ajudou a moldar-me ainda antes dos 10 anos.

Isso é realmente interessante, a maneira como um simples anime pode influenciar as tuas escolhas de vida!

Os meus colegas viam todas as invenções de Doraemon como impossíveis, e eu via que muitas delas eram possíveis. E a verdade é que isso se verificou, como por exemplo as réplicas 3D, hologramas – na altura era impossível, mas eu pensava sempre “não, se calhar…”. Isso levou-me ao meu interesse por robótica, automação, energia eléctrica… e pronto, quando dei por mim, tornei-me engenheiro electrotécnico à conta de um anime.

Como tu próprio disseste, começaste a ver anime sem o saberes. Quando é que soubeste o que era anime e como é que entraste nesse mundo?

Para mim, anime ou animação era a mesma coisa, só fiquei familiarizado com o termo aqui na PoS e foi isso que me trouxe até aqui.

E como foi esse processo todo?

Basicamente, vi vários posts do Tsu no GTA e vi que ele tinha uma fansub. Eu pensei “epá, este gajo sabe falar, é interessante”, e meti conversa com ele. Nisto, ele ficou um bocado à nora com o facto de eu ter escolhido a fansub dele. Sinceramente, não sei por que foi, bati àquela porta e entrei no mundo do anime. Por outro lado, também houve ali uma espécie de mútuo interesse. Porquê? Porque reparei que o Tsu tinha acesso a coisas que eu não conseguia achar em lado nenhum, por isso foi um bocado do tipo “eu participo e ganho alguma coisa com isto”. O facto que me levou a permanecer já foi outro. As coisas que nós fazíamos mais ninguém tinha, e eu sempre gostei das relíquias, por isso fiquei.

Até agora, como descreverias o teu percurso por aqui?

Inicialmente, era muito ativo, mas tenho vindo a ter uma participação mais passiva, principalmente desde a pandemia. Acho que sou mais sensível a isso, não sei porquê. Lembro-me de que quando voltava do trabalho, vinha muitas vezes a pensar “o que fiz hoje não serviu de nada, foi uma porcaria!”. Nessas vezes despejava a minha frustração na fansub, ia para lá e fazia qualquer coisa, era o meu escape. Por causa disso, acho que misturei a minha vida pessoal com a fansub. A fansub é o meu suporte emocional, digamos assim. Faz parte da minha vida. Eu ausentei-me durante uns tempos e não aguentei muito tempo. Não consigo passar sem isto, se saísse da fansub tinha de criar outra.

Qual é o teu projecto favorito?

Tenho de responder de forma sincera a isto. Pelo meu ego, devia dizer que foi o projecto que traduzi, mas a verdade é que não foi. O meu projecto favorito foi um que agarrei por frete, Gunnm. Odeio animes estilo mecha e do nada pediram-me para fazer a verificação final desse projecto. Quando comecei a ver fiquei fascinado. Aquele anime tem tudo o que uma obra filosófica pode ter, a ideia de haver pessoas acima de outras, do que é real ou falso, do que é que faz uma pessoa… eu nunca pensei ver um anime com essa profundidade na minha vida. Eu tinha aquele preconceito de que anime mecha era só “porrada”, vejo aquilo e penso “caraças… o que é que aconteceu aqui?”. Fiquei tão encantado que até li o manga.


O que mais gostas de fazer aqui na fansub?

Estar envolvido em projectos raros. Gosto muito de história e ao estar envolvido em projectos da cultura anime numa altura mais clássica faz-me ter gosto em estar envolvido em relíquias como a que a PoS faz. Existe uma frase que o Tsu me disse quando entrei na fansub que à data não me apercebi da realidade dessa frase: “os fãs têm um afecto especial que os faz fazerem melhores legendas que os próprios tradutores de televisão”. Eu na altura não percebia essa frase, mas hoje em dia percebo. Basta ver as traduções da MidnightSunset no Ace wo Nerae, do Revenge na Lum e do Turunksun daqueles animes que ele vai buscar de sítios que não faço ideia. O gosto peculiar do Tsu ainda hoje me fascina. Eu tenho de me sentir à vontade com o projecto, tenho de criar um à vontade.

Tens alguma história divertida para contar que tenha a ver com a PoS?

O dia em que eu, a MidnightSunset, e o Revenge partilhámos as nossas caras. Nomeadamente, a MS mostrou a sua cara, a reação foi normal; o Rev com aquele penteado armado em guitarrista; e depois eu… disseram “ora aqui está uma cara da qual não estávamos à espera!”. Aquilo foi completamente fora da fansub, mas foi humano, foi ver a cara, o perfil, a pessoa por detrás do nickname. Foi genuíno. Outra história divertida, foi algo que aconteceu em 2017. O meu portátil avariou e passei a ter 2 fixos. Ora, eu traduzia muito legendas no comboio enquanto viajava, por isso acabei por ter de imprimir as legendas e traduzi-las à mão enquanto vinha da faculdade para casa em viagens de longo curso. Depois passava a computador quando chegava a casa, mas já estava a tradução feita. A 2ª série de OVAs do Tenchi foi quase toda feita assim. Quando disse isso à malta da fansub chamaram-me de maluco e não acreditaram, para provar tirei fotografia aos meus rabiscos, tudo cheio de riscos de tinta permanente. Foi tão marcante que até foi partilhada a foto como sinónimo do trabalho da fansub que até fazia à mão as traduções na falta de um portátil. A malta achou muita graça a essa situação. (risos)

A fansub está aqui há 10 anos, é um marco importante e que infelizmente nem todas as fansubs conseguem atingir. Tu achas que aguenta mais 10 anos?

Pessoalmente, pensei que não chegaríamos aos 10 anos. Eu apenas assisti a uma grande ausência do Tsu, em que ele ponderou sair, e à saída do Deity que me fez pensar que a fansub estaria acabada. Apesar de o Tsu e o Revenge me terem dito que tal episódio não foi nada mediante outros que a fansub tem enfrentado ao longo dos anos, contudo foi aquele que eu presenciei de forma mais activa. Se eles me dizem que já passaram por coisas piores então acho que duramos mais 10 anos. Temos pessoas que gostam mesmo disto e não conseguem viver sem isto, até eu que tenho andado muito pouco activo actualmente não consigo imaginar-me sem a fansub a médio e longo prazo. Na realidade, ao fazermos 10 anos ganhámos mais interesse por parte de outras pessoas no nosso trabalho, essa sensação de ter pessoas que gostam do trabalho que é feito aumenta a moral para continuar. Agora é esperar que daqui a 5 anos venha a entrevista a perguntar se aguentamos mais 5. (risos)
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Re: Entrevistas - 10 anos de fansub
« Responder #12 em: Outubro 05, 2021, 00:43:07 am »
Entrevista tugatomsk

Fala-nos um pouco sobre ti.

Sempre fui uma pessoa introvertida, tímida e reservada, amante de diversas áreas, especialmente animação e automóveis. Lembro-me de passar grande parte da minha infância e juventude em casa a ver televisão ou a jogar jogos de computador.

Pergunta de algibeira: séries anime preferidas, qual a que mais te marcou e porquê?

Foi uma série de anime que infelizmente nunca passou em Portugal: Touch, do grande Mitsuru Adachi. Corria o ano de 1991 quando eu e o meu irmão a descobrimos, através da Tele5 de Espanha, durante umas férias de Verão com apenas 9 anos de idade. Fascinou-me a história muito terra-a-terra, mas ao mesmo cheia de sonhos e determinação que misturava romance do ponto de vista do rapaz com um desporto não comum na Europa, o baseball. Nunca tinha visto nada assim em termos de animação até essa altura. A dobragem espanhola cinco estrelas ajudou ao meu fascínio na altura.

Quando e como entraste para o mundo do anime?

Entrei sem o saber ao ver com os meus cinco anitos episódios gravados em cassetes Betamax pelo meu pai de séries como Ulisses 31, Era Uma Vez o Espaço e As Misteriosas Cidades de Ouro, todas co-produções franco-nipónicas que terão sempre um lugar especial no meu coração. Dartacão e Willy Fog, co-produções hispano-nipónicas, também fizeram parte desse elenco de luxo.

Como foi acompanhar os animes da geração da RTP? Consegues fazer uma retrospectiva com essa altura e com o que veio depois?

Foi um processo um pouco complicado porque infelizmente a RTP sempre fez pouca publicidade às novas séries de anime. Quase sempre as descobria por acidente. Os anos foram passando e não vejo grande diferença nesse aspecto. Por exemplo, a série Azuki, estreada na RTP1 em pleno ano de 2001, descobri-a por mero acidente ao fazer um zapping.

Como vês o facto de hoje em dia haver tanta gente dedicada a trazer de certo modo esses tempos de volta, através das fansubs?

Acho formidável porque eu acredito que, tal como noutras formas de arte, há coisas que devem ser preservadas ao máximo, sendo a animação uma delas assim como as respectivas dobragens nacionais. É certo que a nostalgia é a grande forma motivadora por detrás destes esforços, mas não deixa de ser verdade que as fansubs garantem que esses verdadeiros pedaços de história do audiovisual sejam preservados. Além disso, estes esforços juntam pessoas distintas que provavelmente de outra forma nunca se teriam conhecido, e eu acho isso também fantástico.


Já eras fansubber antes de entrar para o grupo. Podes falar um pouco sobre esse teu percurso?

Fui mais um artista convidado, por assim dizer. Até ter sido convidado para a PoS, nunca fiz parte formal de fansubbers nacionais. A pedido de membros do canal de DC++ de anime que frequentava por volta de 2004, participei na legendagem de um par de episódios da controversa série Koi Kaze, da fansubber portuguesa Anime-Sennins, creio. Foi uma boa experiência porque sempre gostei do mundo da tradução e da legendagem, embora o meu percurso académico e profissional tenha sido outro. De resto, não participei em mais nenhum projecto.

Lembras-te de como entraste para a fansub?

Lembro-me de ter sido abordado por um amigo dos membros da PoS (sem eu saber na altura) que, depois de ver os episódios de anime que eu tinha no meu canal original de Youtube, me perguntou se tinha mais material. Trocámos episódios e, não muito tempo depois, fui abordado pelos membros principais da PoS que queriam saber se eu tinha episódios da dobragem portuguesa do Tenchi Muyo. A partir daí, iniciei a minha parceria que tem sido cinco estrelas.

Qual o teu projecto preferido de todos os que trabalhaste no grupo?

Para já, ainda só trabalhei oficialmente numa série, a já mencionada dobragem do Tenchi Muyo, mas há planos para mais séries que são do meu interesse.

Qual a tua tarefa favorita na fansub e porquê?

Gosto de tudo o que faço: revisão de legendagens, incluindo adaptação para Português, assim como tratamento de áudio. Sempre tive queda para essas áreas já bem antes de entrar para a PoS.

Tens alguma história divertida para contar que envolva a fansub?

Se por divertida entendermos como peculiar, talvez as conversas tidas com os membros oficiais do grupo referente a um famoso portal de anime nacional...

Agora que a fansub fez 10 anos, achas que aguenta mais 10?

Eu estou confiante que sim. Bem sei que a vida dá muitas voltas e que as responsabilidades naturais da vida que vão surgindo roubam tempo aos projectos, mas se continuar a haver um esforço em recrutar jovens que gostem do espírito de preservação do que é antigo (apesar de alguns já serem da geração seguinte), penso que a PoS estará para as curvas durante uns bons tempos.

Há alguma coisa que não foi dita e que queiras realçar?

Agarrem as oportunidades que vão surgindo ao longo da vida. Nunca se sabe os tesouros que estão escondidos por detrás delas!
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